STJ reabre ação criminal contra ex-presidente da Vale por desastre de Brumadinho

Resultado reverte decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que havia retirado Schvartsman da ação penal
Fábio Schvartsman presidiu a Vale entre maio de 2017 e fevereiro de 2019. Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu nesta terça-feira (7), por três votos a dois, que o ex-presidente da Vale, Fábio Schvartsman, deve voltar a responder criminalmente pelo rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG). A decisão foi tomada pela 6ª Turma da Corte em sessão encerrada na tarde de hoje.

O resultado reverte decisão do Tribunal Regional Federal da 6ª Região (TRF-6), que havia retirado Schvartsman da ação penal em março de 2024. Votaram a favor do retorno do ex-executivo ao processo os ministros Sebastião Reis Júnior, relator do caso, Rogério Schietti Cruz e Og Fernandes. Foram contrários os ministros Antonio Saldanha Palheiro e Pires Brandão.

O Ministério Público Federal (MPF) recorreu ao STJ pedindo que Schvartsman voltasse a figurar como réu. O órgão alegou que o TRF-6 havia feito uma análise profunda das provas durante o julgamento de um habeas corpus, o que, segundo os procuradores, não seria permitido nessa fase. Para o MPF, a medida indevidamente afastou a competência do Tribunal do Júri, que é o responsável por julgar crimes contra a vida.

Em março de 2024, a 2ª Turma do TRF-6 havia trancado a ação contra o ex-presidente da Vale sob o argumento de que não havia indícios mínimos de autoria. Na ocasião, o tribunal considerou haver “interrupção injustificada da cadeia causal”, já que Peter Poppinga, diretor abaixo de Schvartsman na hierarquia da mineradora, não fora denunciado. Os desembargadores concluíram que a acusação não demonstrava ingerência direta do então presidente sobre decisões técnicas.

Fábio Schvartsman comandou a Vale entre 2017 e 2019 e tornou-se réu em 2020 junto com outros 15 dirigentes, a própria mineradora e a Tüv Süd, por homicídio e crimes ambientais. O processo foi transferido para a Justiça Federal em 2023, quando o MPF ratificou as denúncias. Desde então, familiares das vítimas e entidades como a Associação dos Familiares de Vítimas e Atingidos pelo Rompimento da Barragem da Mina Córrego do Feijão (Avabrum) têm acompanhado de perto o andamento do caso.

O rompimento da barragem, em 25 de janeiro de 2019, deixou 270 mortos e provocou uma das maiores tragédias socioambientais do país.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

A quarta-feira cheia da ALMG nesta semana

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse