TCE define relator de representação que questiona pedágios na Grande BH

Documento, apresentado nesta semana por deputados de oposição a Zema, diz que há falhas em edital do Vetor Norte
Foto mostra a MG-010
MG-010 compõe lote de concessões do Vetor Norte. Foto: DER-MG/Divulgação

O Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG) definiu, nesta sexta-feira (11), o conselheiro Agostinho Patrus como relator da representação que contesta a licitação para a concessão de 124 quilômetros de rodovias no Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH).

Protocolado por deputados estaduais na quarta-feira (9), a representação questiona diversos aspectos da concorrência, que tem como objeto a concessão dos serviços públicos de exploração da infraestrutura, operação, manutenção e ampliação das vias estaduais do Vetor Norte.

A representação aponta uma série de irregularidades no processo licitatório, que abrange trechos das rodovias MG-010, MG-424 e LMG-800, interligando nove municípios da Grande BH, dois do colar metropolitano e Santana do Riacho.

Entre os principais pontos questionados estão a falta de transparência e participação social efetiva no processo, o impacto econômico desproporcional sobre a população de baixa renda e falhas técnicas no edital.

De acordo com o documento, as audiências públicas realizadas pelo governo estadual foram insuficientes, ocorrendo apenas na cidade de Vespasiano e na Cidade Administrativa, em dois dias consecutivos de novembro de 2024, com intervalo de apenas 16 horas entre elas.

Um dos principais argumentos da representação é a desproporcionalidade na distribuição da arrecadação tarifária. Segundo análise dos estudos que embasam a licitação, apenas dois dos 11 pórticos de pedágio previstos serão responsáveis por 53,19% de toda a receita da concessão, apesar de representarem 10 quilômetros dos 124 quilômetros concedidos.

Estes pórticos, localizados entre Belo Horizonte e Vespasiano, afetarão principalmente trabalhadores que fazem o movimento pendular diário entre as cidades. A representação cita dados da Agência RMBH que indicam que 78,60% dos deslocamentos realizados de Vespasiano para Belo Horizonte são feitos por pessoas com renda de até três salários mínimos.

Em meio às alegações, interlocutores do governo estadual afirmam que, a tarifa parcial cobrada em cada pórtico leva em conta a área de cobertura. Assim, o pedágio instalado em Vespasiano será responsável pelo pagamento de R$ 1 por parte dos condutores.

O documento também contesta o critério de julgamento adotado no edital, que combina menor contraprestação a ser paga pelo Estado com maior valor de outorga a ser oferecido pela concessionária, sem estabelecer um valor mínimo para esta última e sem considerar a modicidade tarifária.

A defasagem dos valores do contrato também é criticada, já que o edital se baseia em premissas econômicas de outubro de 2023, o que tornaria os impactos econômicos da concessão imprevisíveis.

Além disso, a representação aponta insuficiência nas exigências de qualificação técnica das licitantes e a possibilidade de formação de cartel, uma vez que o edital permite que um mesmo profissional qualificado possua vínculo com mais de uma licitante.

Os termos do edital

O contrato prevê um valor de R$ 2,73 bilhões, correspondente ao valor presente líquido da projeção das receitas a serem auferidas pela concessionária durante o prazo da concessão, que será de 30 anos, prorrogável por mais cinco. A entrega dos envelopes pelos interessados está prevista para 10 de junho de 2025, e a sessão pública para abertura das propostas econômicas para 13 de junho de 2025.

A representação solicita a suspensão liminar da concorrência e, ao fim, a anulação definitiva do edital, além da determinação para que o Estado se abstenha de promover qualquer ato referente à concessão das vias que interligam municípios da Região Metropolitana de Belo Horizonte.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

A quarta-feira cheia da ALMG nesta semana

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse