TJMG reforma decisão que suspendeu homologação de licitação de complexo hospitalar em BH e libera assinatura de contrato

Sentenças proferidas nesta sexta-feira (19) permitem celebração de acordo entre a Fhemig e o consórcio vencedor do edital
Projeto do complexo hospitalar na Gameleira
Governo de Minas quer complexo hospitalar na Gameleira. Foto: Divulgação

O Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG) negou, nesta sexta-feira (19), o mandado de segurança impetrado pela OPY Healthcare para suspender a homologação do resultado da licitação para a construção do Complexo de Saúde Hospitalar Padre Eustáquio (HoPe), na Gameleira, em Belo Horizonte.

A decisão é da juíza Monica Silveira Vieira, da 5ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias de Belo Horizonte. Na prática, a magistrada manteve a vitória do Consórcio Saúde Hope.

Diante da sentença, o desembargador Fábio Torres de Sousa anulou o agravo de instrumento que havia interrompido, no fim do mês passado, as etapas rumo à assinatura do contrato com o grupo vencedor.

A OPY terminou a concorrência na segunda posição. A empresa questionou, junto ao Judiciário, a capacidade técnica do consórcio vencedor para tocar a obra.

A licitação previa a apresentação de atestado mostrando a participação na execução de um empreendimento de saúde com, pelo menos, 40 mil metros quadrados.

Segundo a recorrente, o atestado técnico apresentado pelo consórcio se basearia em construção com 15,9 mil metros quadrados, incluindo áreas não hospitalares como estacionamentos, lojas e auditório.

Para demonstrar a capacidade técnica, o Consórcio Saúde Hope enviou documentos referentes à construção de uma unidade de saúde ligada ao grupo Lifecenter. Na visão do desembargador Fábio Sousa, o material não comprova o cumprimento do requisito previsto no edital. O material constava em recurso ajuizado no início desta semana.

A sentença

Na decisão, Mônica Silveira Viana apontou que o edital apenas definia o que se entende por unidade de saúde, sem especificar que a metragem deveria se limitar à área assistencial. 

A magistrada ainda lembrou que a comissão de licitação instituída pela Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais (Fhemig), ao negar um recurso administrativo da OPY, já havia indicado que o edital não fazia distinção entre espaços assistenciais e não assistenciais da unidade de saúde capaz de comprovar a expertise das interessadas.

“Relevante observar que o item 14.3.1.1.2 (do edital) explicitou o que se deveria considerar ‘unidade de saúde’ (hospitais, laboratórios, centros de diagnóstico por imagem, hospitais universitários e de ensino). Seu texto não é, por outro lado, suficiente para que se conclua pela possibilidade ou não de considerar, na área construída mínima exigida para a habilitação técnica, apenas as estruturas estritamente vinculadas a finalidades assistenciais, ou todas as estruturas e utilidades que normalmente compõem as unidades de saúde, para viabilizar seu uso, como salas, consultórios e estacionamentos”, lê-se em trecho da sentença.

Ainda de acordo com a juíza, um mandado de segurança precisa de “reavaliação do mérito administrativo e dilação probatória”, o que afasta a existência de direito líquido e certo por meio de provas pré-constituídas.

Antes da decisão desta sexta, a Fhemig e a Advocacia-Geral do Estado (AGE) chegaram a acionar o Superior Tribunal de Justiça (STJ) em busca de reverter a decisão.

A obra

O Complexo Hospitalar foi anunciado em outubro deste ano. Os investimentos previstos giram em torno de R$ 2,4 bilhões. A ideia é integrar, em um mesmo espaço, atividades hoje desenvolvidas no Hospital Alberto Cavalcanti, no Hospital Infantil João Paulo II, no Hospital Eduardo de Menezes e na Maternidade Odete Valadares. O empreendimento também contempla uma unidade do laboratório de análises clínicas da Fundação Ezequiel Dias (Funed).

A estrutura totaliza 86.955 metros quadrados, com hospital público de 532 leitos (110 de UTI), 13 salas cirúrgicas e mais de 60 consultórios especializados.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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