Líder isolado nas pesquisas para o governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) atravessou a primeira semana de campanha praticamente sem ser atacado pelos adversários. Nos debates e nas falas públicas, os concorrentes fizeram críticas comedidas e, em alguns casos, elogios abertos a ele.
Interlocutores dos concorrentes atribuem a trégua a dois fatores: o medo de ver a própria rejeição crescer ao peitar um candidato de alta popularidade e a avaliação de que a campanha ainda não chegou à maior parte do eleitorado. Nenhum deles, porém, descarta uma virada de tom. Se o discurso propositivo não alterar o quadro nas próximas sondagens, a promessa é partir para o ataque.
O próprio Cleitinho tem demonstrado surpresa. Antes de bater o martelo sobre a candidatura, em decisão cheia de idas e vindas, o senador dava sinais de temer ser cobrado pela inexperiência administrativa e por propostas controversas.
“O que mais me chama a atenção por conta de alguns políticos que ficam soltando isso em Minas, falando: o Cleitinho está com medo de pegar um estado quebrado”, disse em 10 de junho, na tribuna do Senado.
Poupado até agora, ele mantém o roteiro e promete uma campanha “com propostas”. “Você mostrar suas propostas, mostrar que está preparado, é isso que dá voto. Então, não vou atacar ninguém, não tem por que atacar ninguém. Cada um tem seu brilho, eu tenho o meu e vou mostrar o que tenho a oferecer para Minas Gerais, como eu já mostrei como senador”, afirmou, no primeiro ato de campanha.
O governador e candidato à reeleição Mateus Simões (PSD), com 4% das intenções de voto na primeira pesquisa Datafolha do estado, segue a mesma toada. “É um amigo, mas que não tem experiência administrativa”, limitou-se a dizer, ao comentar sobre a candidatura adversária.
Também com 4%, o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) assumiu o papel de conselheiro do favorito. “Eu tenho conversado com o Cleitinho e, aliás, fiquei muito feliz dele ter escutado o conselho que eu dei para ele no debate. Falei: cuidado, Cleitinho, cuidado. Não fique aí andando com um político mineiro cujo sobrenome rima com Vorcaro”, declarou.
O presidente licenciado da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg) Flávio Roscoe (PL) escolheu marcar território pela ideologia, sem atacar o senador, apesar dos gestos recentes entre Cleitinho e o PL. Ele se apresenta como o único palanque de Flávio Bolsonaro em Minas.
“Cleitinho, ao longo dos últimos tempos, vem falando ‘nem esquerda, nem direita’. Eu não. Eu sou direita, defendo os valores que nós temos e acredito que a direita pode construir um país muito melhor”, defendeu.
Empatados em segundo lugar, com 12% cada, os ex-prefeitos de Belo Horizonte Patrus Ananias (PT) e Alexandre Kalil (PDT) adotaram a estratégia mais silenciosa de todas: até agora, simplesmente ignoram o nome do líder.