Vale retoma operação de mina paralisada há 22 anos em Ouro Preto

Foram investidos cerca de R$ 5,2 bilhões na reativação no novo empreendimento
Mina Capanema, da Vale, em Ouro Preto Foto: Divulgação

A mineradora Vale retomou, nesta quinta-feira (4), em Ouro Preto, a operação da Mina Capanema, que estava paralisada há 22 anos. As obras de reativação começaram há cinco anos, com um custo total de R$ 5,2 bilhões, investidos na modernização das instalações e na integração de Capanema com outras minas da companhia na região, visando otimizar processos e reduzir impactos ambientais.

A retomada ocorrerá em duas etapas. Na primeira, está sendo realizado apenas o aproveitamento dos rejeitos da antiga operação, estimados em 15 milhões de toneladas por ano. Somente após essa fase começará a exploração da mina propriamente dita, prevista para ter início em até três anos, segundo o presidente da companhia, Gustavo Pimenta, após o esgotamento das pilhas de estéril.

Os investimentos em Capanema envolveram 40 empresas e mais de 6 mil trabalhadores no pico das atividades. Atualmente, a operação é conduzida por cerca de 800 empregados.

A mina não utilizará barragens no processo de beneficiamento do minério, que será feito a seco. Outra novidade é o uso de caminhões autônomos no transporte do minério das pilhas de rejeito até a usina de beneficiamento. Segundo Gustavo Pimenta, Capanema tem um caráter simbólico no processo de reformulação das operações da empresa após os rompimentos de Mariana e Brumadinho.

“Em relação ao que se fazia 20 anos atrás, é um processo mais moderno e, portanto, mais eficiente”, afirmou o presidente.

Também presente na solenidade, o governador Romeu Zema destacou os investimentos da Vale na eliminação de barragens e na melhoria da segurança das estruturas existentes. “Podemos falar, com orgulho, que a cada dia que passa, o risco em Minas é menor, mostrando que é possível conciliar mineração com segurança e também com a preservação do meio ambiente”, disse.

A reativação de Capanema integra o programa de investimentos da empresa no Estado, que prevê a aplicação de R$ 67 bilhões até 2030 nos cinco complexos operacionais da Vale em Minas. A maior parte dos recursos será destinada à ampliação da filtragem e ao empilhamento do minério a seco. O objetivo, segundo a companhia, é reduzir de 30% para 20% o uso de barragens nas operações mineiras.

Das 13 barragens e diques a montante ainda existentes, oito estão em processo de descaracterização. Até 2035, todas essas estruturas deverão estar inativas.

Terras raras

Questionado sobre uma possível entrada no mercado de terras raras — área em expansão devido ao papel estratégico na transição energética —, Gustavo Pimenta não descartou nem confirmou a possibilidade. A Vale está entre as três maiores produtoras de minério de ferro do mundo.

Segundo ele, há prospecções em andamento, mas ainda não há decisão da diretoria quanto à ampliação do leque de operações. “Estamos sempre avaliando se faz sentido entrar em outra commodity, mas ainda não há uma definição”, afirmou o presidente.

Marcelo Freitas é jornalista formado pela UFMG em 1981, com passagem pelos jornais "Diário do Comércio", "Hoje em dia", "O Tempo" e "Estado de Minas". Foi diretor de Comunicação da UFMG, assessor de Comunicação da Câmara Municipal de Belo Horizonte e diretor de Redação do portal de notícias BHAZ. É autor dos livros "A construção do tombamento", sobre o tombamento do centro histórico de Pitangui; "Não foi por acaso", sobre o Massacre de Ipatinga; e "Nós também estivemos na linha de frente", sobre as histórias do jornalismo durante a pandemia.

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