Zema veta ‘jabuti’ que equiparava férias dos defensores públicos de Minas às dos juízes

Decisão do chefe do Executivo, comunicada nesta sexta-feira (1°), ainda pode ser revista por deputados estaduais
A sede da Defensoria Pública de Minas
Decisão de Zema ainda pode ser derrubada por deputados. Foto: DPMG/Divulgação

O governador Romeu Zema (Novo) vetou, nesta sexta-feira (1°), a equiparação das férias dos membros da Defensoria Pública do Estado de Minas Gerais (DPMG) às dos juízes. O trecho sobre o período de descanso constava em um projeto de lei complementar (PLC) aprovado pela Assembleia Legislativa (ALMG) no mês passado.

Hoje, defensores públicos têm direito a 25 dias úteis de férias ao ano. Na redação que recebeu sinal verde dos deputados estaduais, o tempo de descanso passava a ser de de 60 dias corridos, também anuais.

Ao optar pelo veto, Zema afirmou que a vinculação das férias dos integrantes da Defensoria Pública ao direito de 60 dias de descanso dos magistrados “extrapola a simetria institucional legitimamente conferida” à DPMG. 

De acordo com o governador, a Constituição Federal, embora garanta à Defensoria o direito de autonomia funcional e administrativa, com eventual aplicação das regras de organização do Judiciário, não assegura a possibilidade de equivalência dos períodos de pausa.

“Embora a Lei Orgânica da Defensoria Pública – Lei Complementar Federal nº 80, de 12 de janeiro de 1994 – disponha que as férias dos membros da Defensoria Pública do Estado serão concedidas de acordo com a lei estadual, a equiparação aos magistrados, nos termos do caput do dispositivo ora vetado, cria hipótese não prevista no art. 93 da Constituição da República”, escreveu o chefe do Executivo, ao explicar o veto.

‘Jabuti’

O artigo que equiparava as férias dos defensores às dos magistrados é, na verdade, um “jabuti” legislativo. O trecho foi inserido, à pedido da DPMG, em um projeto que originalmente tratava da instituição de um programa de residência jurídica no órgão.

A equiparação dos períodos de descanso foi inserida durante a tramitação em 2° turno do PLC. 

Apesar do veto de Zema a esse trecho, a criação do programa de residência jurídica foi sancionada.

A decisão do governador de barrar a equivalência das férias ainda pode ser derrubada pelos deputados estaduais.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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