Após eleger o senador Cleitinho para governar nosso estado ao lado do ex-prefeito de Patos Luís Eduardo Falcão _ aos quais cumprimento em nome da Associação Mineira de Municípios (AMM), desejando sabedoria para conduzir o destino do povo mineiro nos próximos quatro anos _, Minas Gerais tem agora, diante de si, uma outra tarefa inadiável: construir uma relação mais próxima, permanente e respeitosa entre o Estado e os municípios — e assegurar que as cidades mineiras também tenham voz junto às bancadas federais no Congresso Nacional.
A eleição define representantes e abre um novo ciclo político. Mas os desafios cotidianos da população continuam. É nos municípios que as pessoas procuram respostas e onde as decisões públicas chegam à vida concreta. Por isso, prefeitos e prefeitas precisam participar das conversas que definem políticas, prioridades e responsabilidades que repercutem nas cidades.
Essa participação não significa substituir as atribuições do Estado ou da União. Significa reconhecer que as decisões ficam melhores quando consideram, desde o início, quem conhece as necessidades locais e terá de lidar com seus efeitos. Minas reúne municípios com realidades distintas. Uma política uniforme, decidida sem escuta, pode deixar de considerar diferenças de estrutura, capacidade de atendimento e condições de gestão.
A AMM tem defendido o fortalecimento do municipalismo, o apoio às cidades de menor porte e a continuidade do diálogo com os governos estadual e federal. Também tem chamado atenção para a necessidade de discutir o pacto federativo e a relação entre responsabilidades municipais e recursos disponíveis. Essa agenda não pertence a um partido: como a entidade já afirmou, “a ideologia da AMM é o municipalismo”.
O próximo passo é transformar o diálogo em método. Uma nova relação entre Estado e municípios pode começar com consultas regulares às prefeituras, reuniões regionais, avaliação dos impactos locais das decisões e acompanhamento dos encaminhamentos. Ouvir os municípios antes da implementação ajuda a identificar dificuldades e a construir respostas mais adequadas às diferentes regiões de Minas.
A mesma disposição deve orientar a relação com os representantes mineiros no Congresso Nacional. A AMM já promove articulações em torno de pautas municipalistas, e implementamos este ano o Ranking Parlamentar Municipalista, voltado ao acompanhamento da atuação dos congressistas em temas prioritários para as cidades. A expectativa é que essa interlocução se torne cada vez mais contínua, aberta e conectada às necessidades apresentadas pelos municípios.
Não se trata de pedir alinhamento partidário nem de transformar a pauta municipalista em instrumento eleitoral. Trata-se de manter uma agenda institucional, transparente e suprapartidária: apresentar as demandas das cidades, acompanhar as decisões que as afetam e buscar cooperação para que novas atribuições venham acompanhadas da indicação de fontes de custeio, como já determina o texto constitucional.
Quem quer construir um futuro melhor para Minas precisa reconhecer que o Estado se fortalece quando suas cidades participam das decisões. Depois das urnas, é hora de fazer do municipalismo um compromisso permanente.