Muito se fala que o eleitor brasileiro estaria cansado do extremismo. Mas os números contam outra história. Levantamento da Zeeng, em parceria com o MonitoraBR, mostrou que em 2025 o deputado Nikolas Ferreira lidera o ranking de políticos com maior engajamento no Instagram, seguido por Jair Bolsonaro e Erika Hilton. Entre os presidenciáveis, Lula e Bolsonaro estão sempre entre os mais influentes e com maior capacidade de mobilização digital. Ou seja, os líderes com discursos mais contundentes são exatamente os que mais alcançam público. Se o eleitor estivesse cansado do extremismo, esses nomes não estariam no topo do ranking.
Essa virada de chave está mudando inclusive a posição dos legislativos Brasil afora, que costumeiramente eram governistas, até para possibilitar vinculação com entrega de obras, para um perfil mais fiscalizador. Com a mudança de perfil do eleitor, que busca um candidato que cobre mais do que apenas apareça em inaugurações, passamos a perceber que o senador, deputado ou vereador mais votado, via de regra, é o que faz oposição.
No início dos anos 2000, com o crescimento dos programas policiais, fui convidado a ser editor-chefe de um programa estadual na TV Band, no mesmo formato e até com o mesmo nome do “Brasil Urgente”. O programa era produzido dentro de uma redação jornalística, com repórteres e apuração. Mas, após testes e pesquisas, descobriu-se que o forte da audiência não estava na informação, e sim nas imagens de entretenimento: câmeras de segurança mostrando acidentes, brigas de rua, vídeos virais. Nada daquilo trazia informação relevante para a vida das pessoas, mas prendia a atenção, gerava dopamina e audiência. O formato mudou: menos peso de informação, mais repetição de imagens impactantes. O resultado foi claro: a audiência cresceu.
Esse paralelo se aplica às redes sociais de políticos. Quanto mais elas buscam assuntos polêmicos e de impacto emocional, mais alcance conseguem. E quanto menos estridentes são, menos relevância têm.
Há outro ponto central: o eleitor hoje está cansado de ouvir político dizer apenas o que fez ou o que pretende fazer. Ele entende que isso é obrigação. O que realmente prende sua atenção é saber como o político se posiciona. Mesmo em nível municipal, ele quer ver um vereador opinando sobre temas que estão em debate nacional ou internacional. Quando um parlamentar local comenta, por exemplo, a queda no preço dos alimentos e esse conteúdo viraliza, não se trata de uma pauta restrita à sua cidade, mas de algo que conecta com a vida das pessoas. Se é de interesse do povo, é de interesse político. E quem se recusa a falar sobre esses assuntos acaba esquecido, porque o eleitor vai atrás de quem está discutindo o que realmente importa para ele.
Mais do que opiniões ou intuições, são os números que hoje orientam campanhas e lideranças. Monitoramentos digitais como os da Zeeng, da BN3 e pesquisas como as da Quaest se tornaram bússolas para entender o comportamento do eleitor. A mensagem é clara: não é o extremismo que cansa, é a falta de impacto.