Acabei de ler uma coisa bobinha, mas profundamente significativa e interessante: “Eu não quero coisas caras. Quero coisas que não têm preço”. Para um sábado à noite – antes sinônimo de agendas sociais intensas, atualmente transmutadas em calmaria caseira, hoje interrompida pela estridência de jovens berrando e péssima música – não deixa de ser, além de uma lição, um alerta.
A razão do burburinho externo é o filme que não vi, nem muito menos vivi: minha filha, cercada de amigos, no improviso de uma “resenha aleatória” de fim de noite. Na minha juventude, ainda que igualmente cercado de amigos, resenhas não apenas não aconteciam como eventualmente, se ocorressem, jamais poderiam ser em casa – na minha casa. Faltavam espaço e, sim, financiamento.
Minutos antes de ler a tal frase, me peguei feliz, tranquilo pela cria estar em casa e não na rua. Imediatamente me veio a memória da impossibilidade narrada acima. Não com dor ou lamento. Ao contrário. Com alegria pela mudança de rumo. Com o regozijo por proporcionar ao amor maior o que me faltou. Como dizia o slogan de uma antiga propaganda de cartão de crédito, “certas coisas não tem preço”.
Muito pouco ou quase nada
Por isso a convergência entre frase, pensamento e momento. O melhor restaurante, a melhor festa, o maior evento – por mais sofisticados e caros – não me trariam os segundos de plenitude “priceless”. Realmente não quero coisas caras. Ou melhor, não me importo em não tê-las. Troco cada tostão gasto no que não importa, por um sorriso, um abraço e um “obrigada, papai”, pelo macarrão para a galera.
Há muito compreendi a diferença entre ter fome com a barriga cheia e estar saciado com o estômago vazio. Uma alma (metafórica) plena não precisa de nada senão paz de espírito, ainda que em meio à turbulências de toda sorte – ou má sorte. Parafraseando Lennon e McCartney: “All we need is love”. Que os dias se tornem mais baratos e a vida mais leve. Com o troco a gente ajuda quem precisa.