Promotor arquiva notícia de fato que contestava aumento em plano de saúde da Cemig

Imbróglio sobre reajuste na assistência médica a servidores se arrasta e foi tema inclusive de decisão judicial
A sede da Cemig, em BH
A sede da Cemig, em BH. Foto: Cemig/Divulgação

O Ministério Público do Estado de Minas Gerais (MPMG) arquivou uma notícia de fato que questionava o aumento de 60,5% nas contribuições mensais pagas pelos servidores beneficiários do plano de saúde oferecido pela Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). A decisão pelo arquivamento, tomada no último dia 25, é de autoria do promotor Jairo Cruz Moreira, da 14ª Promotoria de Justiça de Defesa do Consumidor de Belo Horizonte.

Desde fevereiro, o reajuste na alíquota da Cemig Saúde vem sendo tema de conversas entre a estatal e representantes sindicais. Na semana passada, uma liminar judicial chegou a ordenar a suspensão do aumento. Em outra frente, a companhia prometeu, a entidades de classe, avaliar a possibilidade de suspender a cobrança do novo valor até o final de uma mesa de negociações a respeito do tema que deve se estender por 45 dias.

A notícia de fato contra o reajuste que chegou ao MPMG é assinada por um beneficiário da assistência médica oferecida pela Cemig. O texto chama o aumento de “abusivo” e diz que a majoração nos valores não teria sido negociada com o Conselho Deliberativo da Cemig Saúde. 

O promotor Jairo Moreira, entretanto, se amparou em jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) para determinar o arquivamento da queixa. Na decisão,  Moreira transcreve o enunciado de uma súmula do STJ. O trecho diz que “aplica-se o Código de Defesa do Consumidor aos contratos de plano de saúde, salvo os administrados por entidades de autogestão”.

De acordo com a decisão, a Cemig Saúde é uma operadora de plano de saúde administrado por autogestão, o que afasta a aplicação das normas do Código de Defesa do Consumidor e, consequentemente, as atribuições da Promotoria de Justiça e do Procon-MG.

“As entidades de autogestão não operam sob regime de mercado, não visam lucro e possuem gestão solidária, em que os recursos do fundo comum pertencem aos beneficiários, sendo utilizados em seu próprio benefício”, explicou Moreira.

Rodadas de negociação

O pedido de suspensão temporária do reajuste foi feito pelos sindicatos à Cemig antes da publicação da liminar que interrompeu a validade do reajuste. Em outra frente, as entidades de classe solicitaram a restituição de valores já pagos por causa do aumento na alíquota. A estatal também prometeu analisar o pleito.

A folha de pagamentos de abril, entretanto, já havia sido fechada quando do pedido de restituição. Por isso, a solicitação não pôde ser automaticamente acatada. 

Mais Cemig

Em outra frente, deputados estaduais que se envolveram nas conversas com a Cemig sobre um possível recuo a respeito do reajuste, se preparam para fazer perguntas a Marco Soligo, vice-presidente da estatal. Ele irá à Assembleia Legislativa nesta quarta-feira (2) a fim de detalhar a estratégia que baseou a recente venda de hidrelétricas da companhia.

Na semana passada, a Justiça de Belo Horizonte anulou uma sentença que impedia a venda de 15 usinas. Segundo a Cemig, as transações seguiram “toda a legislação vigente, com transparência e ampla concorrência”, e com base em análises técnicas e de eficiência econômico-financeira”.

Parlamentares da oposição ao governador Romeu Zema (Novo), entretanto, questionam o movimento porque o estado pode migrar do Regime de Recuperação Fiscal (RRF) para o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). O novo pacote permite a federalização de estatais estaduais como forma de abater parte do débito junto à União.

Na avaliação do deputado Professor Cleiton (PV), a venda das usinas desidrata o patrimônio da Cemig e diminui o valor da empresa em uma possível federalização. 

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

Governo de MG admite ‘dificuldades pontuais’ em novo sistema do SUS, mas diz que falhas foram solucionadas

O MDB quer Pacheco… para o TCU

O que Aécio disse a sindicalistas contrários à privatização da Copasa

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse