Presidente do TCE-MG relembra encontro com Papa Leão XIV em Minas

Então cardeal Robert Francis Prevost esteve no Brasil há 13 anos; conselheiro da Corte de Contas mineira conta sobre o novo papa
Robert Francis Prevost nasceu nos Estados Unidos e tem cidadania peruana. Foto: Vatican Media

O novo papa da Igreja Católica, Leão XIV já esteve em Minas e mantém laços com a comunidade religiosa e acadêmica do Estado. O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), Durval Ângelo, relembrou o encontro que teve com o então cardeal Robert Francis Prevost, hoje Papa Leão XIV, destacando sua trajetória e simbolismos pouco conhecidos da escolha do nome papal.

Durval Ângelo, na época professor de filosofia no Instituto Santo Tomás de Aquino, relatou que conheceu Prevost em dezembro de 2012, durante evento dos agostinianos em Belo Horizonte. O futuro pontífice, à época prior-geral da Ordem dos Agostinianos, presidiu uma cerimônia de votos religiosos e participou de missa e jantar em família com Durval e outros membros da comunidade. “Na missa, ele falou muito da vocação do religioso e do compromisso com os mais pobres, da simplicidade da vida religiosa. Sentei à mesa dele, e ele ficou interessado em saber como um deputado de esquerda era professor em seminário católico. Era muito tímido, muito calado, mas muito firme na mensagem, e ouvia muito”, relatou Durval.

O presidente do TCE-MG enfatizou que foi marcado pela simplicidade e atenção do agora papa, e contou ter recebido a comunhão diretamente das mãos de Prevost. “O que mais me cativou foi a simplicidade. Uma pessoa simples e uma atitude de ouvir, muito interessante”, afirmou.

Entrega de livro

Além do encontro, Durval destacou sua participação indireta em uma homenagem acadêmica ao papa. Ele escreveu a orelha do livro “O Sofrimento Psíquico dos Presbíteros”, de William César Castilho, fruto de pesquisa com religiosos e religiosas. O exemplar foi entregue ao próprio cardeal Prevost por Frei Paulo Gabriel, provincial dos agostinianos em Belo Horizonte, para que fosse repassado ao então papa Francisco. “Eu fiz a orelha do livro, que trata do sofrimento psíquico dos presbíteros. O William era professor conosco no Instituto Santo Tomás de Aquino”, explicou Durval.

O significado do nome ‘Leão’

Durval também revelou um simbolismo ainda pouco discutido sobre a escolha do nome papal. Segundo ele, a escolha de Leão XIV remete não só aos papas históricos, mas também à profunda amizade entre São Francisco de Assis e Frei Leão, franciscano que participou da reconstrução da igreja de São Damião. “Quem era o grande amigo de São Francisco de Assis? Era o Frei Leão. Essa escolha de Leão tem a ver com o Papa da Rerum Novarum, mas ele escolheu o nome de Leão porque o maior amigo de São Francisco era um colega dele, o Frei Leão. É interessante essa escolha”, ressaltou.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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