A entrega de 318 máquinas agrícolas a municípios de Minas Gerais, promovida pelo governo federal nesta quinta-feira (12) na CeasaMinas, em Contagem, com presença confirmada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), provocou insatisfação e cobranças diretas entre deputados federais da bancada mineira. O motivo é a ausência de participação dos parlamentares na definição dos municípios contemplados, como atestam mensagens do grupo de WhatsApp da bancada obtidas por O Fator.
A inquietação começou com o deputado Bruno Farias (Avante), que questionou abertamente o líder da bancada, Luiz Fernando Faria (PSD), sobre os critérios da distribuição do maquinário.
“Qual o critério usado para a distribuição dessas máquinas amanhã em BH? Quem é da base (governista) tem alguma coisa ou é de Rodrigo Pacheco?”.
Segundo o governo federal, os recursos destinados à aquisição das máquinas é oriundo de uma demanda de Pacheco.
No grupo de WhatsApp, indagação de Bruno Farias rapidamente repercutiu entre os colegas. O deputado Delegado Marcelo Freitas (União Brasil) concordou com a pertinência do tema, citando que o anúncio público atribuía a aquisição ao Programa Nacional de Modernização e Apoio à Produção Agrícola (Promaq), idealizado por Pacheco, mas apresentado como de interesse coletivo.
“O anúncio público é de que a aquisição foi feita pelo Promaq. Portanto, salvo melhor juízo, de interesse de toda a bancada mineira.”
Instado a responder, Faria apontou que “não é emenda de bancada, portanto não sou a melhor fonte pra informá-lo.”
A resposta motivou nova cobrança da deputada Greyce Elias (Avante), que reiterou a necessidade de a bancada ser informada sobre o evento e seus critérios.
O deputado Domingos Sávio (PL), presidente do partido de Jair Bolsonaro (PL) em Minas Gerais, engrossou o coro. “Este tipo de distribuição deveria ter mais clareza (transparência) sobre o critério de indicação e distribuição. Não sou base de governo, porém todos somos parlamentares e temos o direito de saber qual o critério está sendo utilizado.”
Sávio também relatou pressão de prefeitos e pediu explicação sobre quem apadrinha as indicações. “O problema é que todos recebemos cobranças de prefeituras que precisam deste tipo de equipamento e estão entendendo que cada deputado pode fazer alguma indicação. Portanto, todos estamos sendo cobrados.”
Dimas Fabiano (PP) reforçou a frustração de parte da bancada, e apontou que “sempre foi assim”, “quem joga num time recebe, quem não joga não recebe”. “Não recebi nenhuma máquina para indicar para minhas prefeituras. E politicamente isso é péssimo. Mas sempre foi assim em todos os governos, isso não é novidade. Quem joga num time recebe e quem não joga não recebe.”
Fabiano acrescentou que a eleição de novo presidente da bancada deveria significar uma mudança no padrão de exclusão. “Precisamos escolher alguém que não jogue nesse time e que de alguma forma mude essa realidade e que no futuro possamos ter mais informações, participação e influência da bancada em tais entregas.”