As conversas entre Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) sobre uma possível aliança para 2026 avançaram nos últimos dias e já incluem discussões sobre uma futura frente de governadores, mas, no entorno dos dois, a avaliação é de que nenhuma composição formal deve ser firmada neste momento.
Segundo apurou O Fator, a aproximação ganhou força após a percepção, nos dois grupos, de que as pré-candidaturas estacionaram nas pesquisas e dificilmente conseguirão crescer de forma isolada.
Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que há hoje um esforço interno para massificar a ideia de uma candidatura apoiada por governadores como alternativa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O entendimento é de que tanto o ex-governador goiano quanto o ex-governador mineiro disputam o mesmo campo eleitoral e precisam apresentar um projeto mais amplo para tentar romper a polarização.
A estratégia discutida entre aliados é construir uma espécie de frente de governadores, reunindo nomes de diferentes estados em torno de um discurso de gestão, oposição ao PT e distanciamento do bolsonarismo. Pessoas próximas às conversas afirmam que Caiado aposta na força política dos governadores e defende um movimento nacional que também envolva nomes como os correligionários Eduardo Leite e Ratinho Júnior, que governam Rio Grande do Sul e Paraná, respectivamente.
Nos grupos envolvidos nas articulações, a leitura é de que tanto Caiado quanto Zema chegaram a um teto de crescimento individual nas pesquisas e precisam encontrar um posicionamento diferente do ocupado hoje por Lula e Flávio Bolsonaro. A ideia seria construir uma candidatura que fuja das “extremidades”, mas sem repetir o modelo tradicional da terceira via de 2022, considerado fracassado por aliados.
Apesar da aproximação, integrantes próximos a Zema consideram muito difícil que o mineiro aceite ocupar a vice em uma eventual chapa liderada por Caiado. No Novo, a avaliação é de que o partido perderia força na disputa proporcional, já que o ex-ocupante do Palácio Tiradentes é visto como peça importante para puxar votos da legenda e ampliar bancadas legislativas estaduais e federais.
Entre os caiadistas, embora haja a intenção de aglutinar forças, a percepção é que não há espaço para construir uma aliança formal até, pelo menos, o início de julho.
Pesquisas preocupam
Reservadamente, integrantes dos grupos admitem que o discurso de união entre governadores já era aventado há meses, mas voltou a ganhar força agora, diante da preocupação crescente com a dificuldade das pré-candidaturas ganharem terreno isoladamente.
A pesquisa Datafolha mais recente, divulgada na semana passada, mostra Zema com 3% das intenções de voto e Caiado com 4%. Lula aparece com 40%, enquanto o senador Flávio registra 31%.