Caiado e Zema debatem ‘frente de governadores’, mas não devem avançar em aliança imediata

Aproximação ganhou força após aliados avaliarem que as candidaturas estacionaram nas pesquisas;
Zema e Caiado
Romeu Zema e Ronaldo Caiado avançaram nas conversas sobre uma possível aliança para 2026, mas aliados afirmam que não há expectativa de composição formal neste momento (Foto: André Santos/ABCZ/Divulgação)

As conversas entre Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) sobre uma possível aliança para 2026 avançaram nos últimos dias e já incluem discussões sobre uma futura frente de governadores, mas, no entorno dos dois, a avaliação é de que nenhuma composição formal deve ser firmada neste momento.

Segundo apurou O Fator, a aproximação ganhou força após a percepção, nos dois grupos, de que as pré-candidaturas estacionaram nas pesquisas e dificilmente conseguirão crescer de forma isolada.

Interlocutores ouvidos pela reportagem afirmam que há hoje um esforço interno para massificar a ideia de uma candidatura apoiada por governadores como alternativa ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O entendimento é de que tanto o ex-governador goiano quanto o ex-governador mineiro disputam o mesmo campo eleitoral e precisam apresentar um projeto mais amplo para tentar romper a polarização.

A estratégia discutida entre aliados é construir uma espécie de frente de governadores, reunindo nomes de diferentes estados em torno de um discurso de gestão, oposição ao PT e distanciamento do bolsonarismo. Pessoas próximas às conversas afirmam que Caiado aposta na força política dos governadores e defende um movimento nacional que também envolva nomes como os correligionários Eduardo Leite e Ratinho Júnior, que governam Rio Grande do Sul e Paraná, respectivamente.

Nos grupos envolvidos nas articulações, a leitura é de que tanto Caiado quanto Zema chegaram a um teto de crescimento individual nas pesquisas e precisam encontrar um posicionamento diferente do ocupado hoje por Lula e Flávio Bolsonaro. A ideia seria construir uma candidatura que fuja das “extremidades”, mas sem repetir o modelo tradicional da terceira via de 2022, considerado fracassado por aliados.

Apesar da aproximação, integrantes próximos a Zema consideram muito difícil que o mineiro aceite ocupar a vice em uma eventual chapa liderada por Caiado. No Novo, a avaliação é de que o partido perderia força na disputa proporcional, já que o ex-ocupante do Palácio Tiradentes é visto como peça importante para puxar votos da legenda e ampliar bancadas legislativas estaduais e federais.

Entre os caiadistas, embora haja a intenção de aglutinar forças, a percepção é que não há espaço para construir uma aliança formal até, pelo menos, o início de julho.

Pesquisas preocupam

Reservadamente, integrantes dos grupos admitem que o discurso de união entre governadores já era aventado há meses, mas voltou a ganhar força agora, diante da preocupação crescente com a dificuldade das pré-candidaturas ganharem terreno isoladamente.

A pesquisa Datafolha mais recente, divulgada na semana passada, mostra Zema com 3% das intenções de voto e Caiado com 4%. Lula aparece com 40%, enquanto o senador Flávio registra 31%.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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