Presidente do TCE rebate críticas de Mateus Simões e defende decisões da Corte

Durval Ângelo respondeu às críticas do vice-governador, que ironizou atuação do tribunal em coletiva de imprensa nesta terça
Durval Ângelo afirmou que o TCE-MG “não administra, não legisla e não executa políticas públicas”. Foto: TCE

O presidente do Tribunal de Contas do Estado de Minas Gerais (TCE-MG), Durval Ângelo, divulgou uma nota na tarde desta terça-feira (12) rebatendo as declarações do vice-governador Mateus Simões (Novo) e defendendo a atuação da Corte. Mais cedo, durante uma entrevista coletiva, Simões criticou decisões recentes do TCE que suspenderam processos envolvendo a concessão do Vetor Norte da MG-10, implantação de escolas cívico-militares e licenciamento ambiental.

Na nota, Durval Ângelo afirmou que o TCE-MG “não administra, não legisla e não executa políticas públicas”, ressaltando que sua função constitucional é a de atuar como órgão técnico de controle externo. Segundo o presidente do Tribunal, o papel da instituição é avaliar a legalidade, a legitimidade e a economicidade dos atos da administração pública.

De acordo com a nota do TCE, as decisões mencionadas por Simões “não são arbitrárias” e se baseiam em análises técnicas e jurídicas de representações e denúncias apresentadas por parlamentares, órgãos e entidades públicas, ou pela própria sociedade civil. O texto também destaca que o objetivo do Tribunal é “garantir a conformidade dos procedimentos com a legislação, assegurar a transparência e proteger o patrimônio do Estado”.

Durval disse ainda que o diálogo e a colaboração entre os Poderes são “essenciais para a governabilidade e para a construção de um futuro melhor para Minas Gerais” e reafirmou o “compromisso do TCE-MG com a fiscalização independente e republicana”, voltada ao fortalecimento das instituições democráticas.

As críticas do vice-governador

As declarações de Mateus Simões ocorreram durante uma coletiva de imprensa sobre o Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag). Ao comentar a suspensão de três processos do Executivo — a concessão do lote de rodovias do Vetor Norte da Região Metropolitana de Belo Horizonte, a consulta pública sobre escolas cívico-militares e um processo de licenciamento ambiental — o vice-governador ironizou que, “em algum momento, será preciso delegar ao Tribunal de Contas a administração do estado”.

No caso das rodovias, o TCE-MG suspendeu o edital de concessão do lote do Vetor Norte após questionamentos apresentados por um grupo de deputados estaduais de oposição ao governo Romeu Zema (Novo). A decisão citou a necessidade de um número maior de audiências públicas para ouvir as comunidades afetadas.

Sobre as escolas cívico-militares, a Corte determinou a interrupção da consulta popular que identificaria unidades de ensino com interesse no modelo. Segundo Simões, a medida contrasta com a justificativa usada para barrar a concessão de rodovias, já que, no caso das escolas, o governo justamente buscava ouvir a comunidade escolar.

O terceiro episódio citado pelo vice-governador envolve a suspensão, determinada na segunda-feira (11), de um processo de licenciamento ambiental para a construção de uma barragem de rejeitos próxima a Conceição do Mato Dentro. A medida, inédita na avaliação de Simões, foi tomada após solicitação apresentada pela deputada estadual Bella Gonçalves (Psol).

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

O mal-estar no PT por causa de vídeo de Marília Campos com Gabriel Azevedo

Justiça rejeita ação de suplente contra vereadora de BH por uso de ‘Carreta da Saúde’ em campanha

Prefeitura de Contagem estuda internação compulsória de pessoas em situação de rua

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse