Com o anúncio da aposentadoria antecipada do ministro Luís Roberto Barroso do Supremo Tribunal Federal (STF), feito nesta quinta-feira (9), grupos distintos do PSD em Minas Gerais avaliam que o senador Rodrigo Pacheco, cotado tanto para a vaga na Corte quanto para disputar o governo do estado, não terá mais margem para adiar sua decisão.
Nas últimas semanas, Barroso evitava cravar sua decisão e chegou a mencionar a possibilidade de fazer um retiro espiritual no exterior antes de anunciar qualquer definição. As declarações deixaram o ambiente político em Minas em compasso de espera, sem saber se alguma decisão seria tomada brevemente.
Agora, porém, fontes ouvidas por O Fator afirmam que, mesmo que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) leve cerca de 30 dias para indicar o substituto de Barroso, o cenário não permitirá mais a cautela de Rodrigo Pacheco, conhecido por demorar em suas decisões.
Na mesa de Pacheco, diferentes caminhos se desenham. No campo partidário, MDB, PSB e União Brasil tentam atrair o senador e articulam sua candidatura ao governo de Minas. Dentro do próprio PSD, porém, há divisões. A direção estadual da legenda atua para filiar o vice-governador Mateus Simões (Novo) e o apresenta como alternativa para a disputa ao comando do estado.
No plano nacional, com a confirmada aposentadoria de Barroso, os olhos se voltam para a escolha do presidente da República. No entanto, interlocutores do governo afirmam que Lula inicialmente preferia manter o senador como palanque em Minas para as eleições de 2026, uma vez que há falta de nomes do PT para a disputa.
Como mostrou O Fator, Pacheco tem em Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), presidente do Senado, um dos principais articuladores de sua eventual indicação à Corte. Além dele, conta com a simpatia de ministros como Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes. Esse último se tornou mais próximo após os atos de 8 de janeiro de 2023.
Mas o caminho para o STF enfrenta forte concorrência. Outros nomes próximos ao presidente também são cotados para o tribunal, entre eles o advogado-geral da União, Jorge Messias; o presidente do Tribunal de Contas da União (TCU), Bruno Dantas; e a presidente do Superior Tribunal Militar (STM), Maria Elizabeth Rocha.