Cláusula de contrato entre Copasa e BH gera dúvidas sobre consulta à prefeitura em caso de privatização

Em meio ao debate pela venda da empresa pública ao mercado privado, discussão surge na Câmara dos Vereadores da capital
Agência da Copasa em BH
Governo Zema tenta viabilizar a privatização da Copasa. Foto: Copasa/Divulgação

Uma cláusula do contrato entre a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) e a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) virou alvo de interpretações conflitantes. O texto determina que o governo do estado precisa submeter à aprovação do município qualquer tentativa de privatizar a empresa. A dúvida é se essa exigência ainda vale na prática.

O dispositivo está na terceira cláusula do Protocolo de Intenções firmado em 2002. Pelo acordo, Minas assume o compromisso formal de “submeter à aprovação do Município de Belo Horizonte qualquer procedimento tendente à privatização da Copasa”.

Parte dos agentes do setor de saneamento acredita que a cláusula tem peso real. O argumento se baseia no caso da Sabesp, em São Paulo. A privatização da estatal paulista só aconteceu depois que as câmaras municipais de São Paulo e Guarulhos aprovaram mudanças nos contratos com a empresa, que continham previsão semelhante.

Outros especialistas discordam. Para esse grupo, a cláusula só teria validade se a prefeitura ainda fosse acionista da Copasa. Como Belo Horizonte vendeu sua participação na empresa em 2009, a exigência de aval municipal teria perdido o efeito.

O debate ganhou força enquanto a Assembleia Legislativa discute a privatização da Copasa e a empresa negocia a renovação do contrato com a capital mineira. Essa renovação é vista como essencial para tornar a estatal atraente ao mercado privado, já que os serviços em Belo Horizonte representam quase metade do valor da companhia.

Pelo que O Fator apurou, a Copasa já ofereceu R$ 1,2 bilhão pela renovação do contrato. A prefeitura quer R$ 1,5 bilhão. Quem comanda a negociação pelo município é o secretário de Governo, Guilherme Daltro. Ele substituiu o secretário-geral Jorge Luiz Schmitt-Prym, homem de confiança do ex-prefeito Fuad Noman, nas tratativas.

No dia 5, a Assembleia derrubou o artigo da Constituição Mineira que obrigava referendo popular para privatizar a Cemig e a Copasa.

Depois da aprovação do texto na Assembleia, vereadores da bancada de esquerda na Câmara de BH apresentaram um projeto que cria plebiscito obrigatório para qualquer privatização dos serviços de água e esgoto em Belo Horizonte. O autor é o vereador Bruno Pedralva (PT). O texto é baseado na cláusula existente no contrato entre Copasa e a prefeitura.

A proposta, porém, tem poucas chances de avançar. Interlocutores avaliam que o presidente da Câmara Municipal, Juliano Lopes (Podemos), não deve dar andamento ao texto, uma vez que é aliado próximo do secretário de Estado de Governo, Marcelo Aro (PP), principal articulador dos projetos de privatização do governo Romeu Zema (Novo) na Assembleia. O avanço do projeto atrapalharia discussões para a venda da empresa pública.

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