A nova decisão de Toffoli sobre os inquéritos da Operação Rejeito no STF

Ministro é o relator do caso no Supremo desde que investigação passou a tramitar na Corte, no início de outubro
O ministro é o relator prevento devido à conexão da investigação com processo de 2023 envolvendo a mineradora Gute Sicht. Foto: Luiz Silveira/STF

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), ampliou, nesta quarta-feira (19), o grau de sigilo dos inquéritos relacionados à Operação Rejeito, da Polícia Federal (PF). Com a decisão, somente Toffoli e seus assessores de gabinete terão acesso às movimentações processuais. Nem mesmo os advogados de defesa dos 17 presos na operação poderão consultar os autos.

Segundo o ministro, a medida foi adotada para reduzir o número de acessos e permitir uma análise individualizada de cada caso.

A Operação Rejeito completou dois meses na segunda-feira (17). Todos os alvos presos no dia da deflagração continuam detidos. Há dezenas de pedidos de habeas corpus protocolados junto ao ministro.

Dúvidas

Na semana passada, Toffoli enviou o caso para a Procuradoria-Geral da República (PGR) e pediu ao procurador-geral Paulo Gonet que se manifestasse sobre a competência do ministro para julgar e conduzir o caso da Rejeito.

Pelo que O Fator apurou, o ministro tem relatado, pelo menos nas últimas semanas, possuir dúvidas se possui a competência para julgar ou se o caso deveria ser remetido a uma das turmas ou ao plenário do STF.

Toffoli assumiu a relatoria do caso em outubro, após o desembargador Pedro Felipe de Oliveira Santos determinar que todos os inquéritos da operação fossem encaminhados ao STF. A decisão sinalizou que pessoas com foro privilegiado aparecem nas investigações.

O ministro é o relator prevento devido à conexão da investigação com processo de 2023 envolvendo a mineradora Gute Sicht, de propriedade de Alan Cavalcante, apontado pela Polícia Federal como líder da organização criminosa.

A investigação

A Operação Rejeito investiga esquema de corrupção no licenciamento de empreendimentos minerários em Minas Gerais. A Polícia Federal aponta pagamento de propinas a servidores da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), Agência Nacional de Mineração, Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e outros órgãos ambientais.

A investigação identifica movimentação suspeita de R$ 1,5 bilhão e potencial para ganhos ilícitos de R$ 18 bilhões. O grupo teria estruturado rede de 42 empresas entre 2020 e 2024 para legitimar práticas criminosas. Os empreendimentos minerários avançavam mediante manipulação de processos administrativos, incluindo projetos na Serra do Curral e Serra do Botafogo, em Ouro Preto.

Os investigados respondem por organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção e crimes ambientais. O Judiciário determinou sequestro dos direitos minerários, bloqueio de valores e suspensão das atividades das empresas vinculadas aos investigados.

Conexão

Um dos possíveis motivos da remessa dos inquéritos ao STF foi a quebra do sigilo bancário de uma empresa que tem como sócio o deputado federal Luiz Fernando Faria (PSD-MG), ainda na primeira fase da investigação. Feita a pedido da Polícia Federal, a quebra do sigilo aconteceu com autorização da Justiça Federal em Belo Horizonte. O parlamentar não é investigado formalmente e não foi alvo da operação.

Luiz Fernando Faria é sócio indireto da empresa de loteamentos Mirante da Mantiqueira. Uma firma do parlamentar, a Orleans Empreendimentos e Participações, integra o quadro societário da Mirante da Mantiqueira. O relatório policial menciona a Orleans, mas não cita o nome de Faria.

A Mirante da Mantiqueira também tem como sócios os empresários Felipe Lombardi Martins e Helder Adriano de Freitas, que foram presos preventivamente como alvos da operação. A Polícia Federal aponta a empresa como suspeita de integrar parte da estratégia de blindagem e constituição de novos projetos do esquema investigado.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

Leia também:

Ganem diz que denúncia sobre fraude ao domicílio eleitoral se baseou em ‘ilações de matérias jornalísticas’

Justiça prorroga afastamento de servidores investigados por fraudes em contratos da Sudecap

Delegado que chefiou inquérito do atentado a Bolsonaro em Juiz de Fora perde ação contra a Jovem Pan após matérias sobre vínculo com o PT

Veja os Stories em @OFatorOficial. Acesse