Aliados do ministro Alexandre Silveira (PSD), interpretaram como um recado a integrantes do PT de Minas Gerais a declaração do chefe da pasta de Minas e Energia sobre aceitar, sem questionamentos, tarefas eleitorais delegadas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nesta quinta-feira (11), durante evento do governo federal em Belo Horizonte, Silveira afirmou que apoiará Lula “sem impor qualquer condição” e “despido de projetos pessoais”.
Na visão de interlocutores, a fala foi um recado a nomes do PT que, sondados para concorrer ao governo do estado, declinaram o convite. A prefeita de Contagem, Marília Campos, por exemplo, rechaçou a possibilidade e já sinalizou que, se estiver nas urnas no ano que vem, será concorrendo ao Senado Federal.
“Muita gente me pergunta o que serei em 2026. Respondo em alto e bom som, neste solo sagrado da democracia e nas montanhas de Minas Gerais: meu papel é contribuir para que o presidente Lula siga liderando o Brasil para o bem de brasileiras e brasileiros. Erra quem impõe qualquer condição a um líder com a sua estatura e trajetória de vida”, disse Silveira, em direção a Lula.
Ao comentar o próprio futuro, Silveira afirmou que Lula é seu “partido”. “Todo aquele que milite a seu lado e queira servir a um projeto de país, deve aguardar seu comando”, completou.
No PT, além de Marília Campos, também houve uma sondagem inicial a Margarida Salomão, prefeita de Juiz de Fora, na Zona da Mata. Margarida, assim como a correligionária, negou a hipótese de pleitear a sucessão de Romeu Zema (Novo).
Compasso de espera e opções
O plano A de Lula neste momento é o senador Rodrigo Pacheco, do PSD. O parlamentar, contudo, ainda não bateu o martelo sobre entrar ou não na corrida eleitoral. Como O Fator mostrou mais cedo, o PT freou as conversas sobre a possibilidade de lançar candidatura própria e mapeia nomes entre partidos aliados.
Caso Pacheco não entre na disputa estadual, aparecem, como alternativas, o presidente da Assembleia Legislativa, Tadeu Leite (MDB), e o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT).
O presidente nacional petista, Edinho Silva, é entusiasta da ideia de migração de Tadeuzinho para o PSB com o objetivo de encampar a candidatura ao governo do estado. O chefe do Legislativo, contudo, evita tratar de eleição e reitera que tem como foco a tramitação de projetos ligados à renegociação da dívida do estado.
Kalil, por sua vez, sofre resistência de parte da cúpula petista. Uma recente conversa dele com Edinho Silva não resultou em avanços concretos na direção de uma aliança.
O pedetista também indicou que, apesar de aceitar compor com Lula, não deseja repetir o expediente da campanha de 2022, quando encampou a “estrela vermelha”.
