O saldo não tão positivo da reunião entre Kalil e o presidente do PT

Aliança entre o partido e o ex-prefeito da capital caminha para não se repetir na disputa pelo Palácio Tiradentes em 2026
kalil e PT
PT caminhou ao lado de Kalil na campanha em que Romeu Zema (Novo) foi reeleito. Foto: Leandro Couri/Coligação Juntos pelo Povo de Minas

Não foi tão positiva a reunião entre o presidente nacional do PT, Edinho Silva, e o ex-prefeito Alexandre Kalil (PDT). Realizado em Belo Horizonte na última terça-feira (25), o encontro tinha como pauta central o alinhamento dos petistas para apoiar Kalil na disputa ao governo de Minas no ano que vem. Pelo que lideranças do PT ouviram, no entanto, a conversa não deve avançar.

O plano de Kalil é reeditar a aliança com o PT que foi feita em 2022, quando também foi candidato a governador. Dessa vez, o ex-prefeito da capital mineira não pretende encampar a “estrela vermelha” como fez na última eleição. Essa posição de Kalil não caiu bem dentro de grupos petistas.

Antes mesmo do encontro, nomes relevantes do PT já questionavam por que a reunião entre Kalil e Edinho não foi estendida à direção do partido no Estado. Presidente do partido em Minas, a deputada estadual Leninha nem havia sido avisada da agenda e soube pela imprensa.

A reunião foi marcada a convite de Kalil. Ele e Edinho são amigos pessoais desde a década passada, unidos pelo futebol. Edinho é ex-dirigente da Ferroviária de Araraquara, clube da cidade paulista em que foi prefeito. O filho de Edinho é o dirigente esportivo Pedro Martins, que chegou a atuar no Cruzeiro e já foi elogiado na imprensa pelo ex-prefeito.

Outro ponto de resistência de lideranças petistas em Minas são as marcas deixadas pela campanha de 2022, quando Kalil não terminou o pleito com a melhor das relações com o partido.

Críticos à movimentação do ex-prefeito de BH de buscar atrair o apoio do partido “de cima para baixo”, os petistas voltam a analisar outras alternativas para a corrida pelo Palácio Tiradentes.

O nome preferido segue sendo o do senador Rodrigo Pacheco (PSD). Caso o ex-presidente do Congresso Nacional decida abandonar a vida pública, hipótese ventilada em conversa recente com o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a estratégia dos petistas será encontrar uma solução “caseira”.

Como mostrou O Fator, a prefeita de Juiz de Fora, Margarida Salomão, disse nesta semana à bancada do PT na Câmara dos Deputados que pretende permanecer na Prefeitura até o fim de seu mandato, em 2028. Já a prefeita de Contagem, Marília Campos, quer concorrer à uma cadeira no Senado.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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