Antes da lei de privatização ser sancionada, Copasa anunciou revisão tarifária com efeito médio de 6,5%

Em semana de novidades, estatal de água e saneamento também anunciou troca na presidência
Estação de tratamento de água Rio Manso
Na prática, os municípios que aderirem passariam a ter contratos de concessão com prazo até 2073, prevendo a entrada gradual do serviço de esgoto. Foto: Copasa/Divulgação

Um dia antes de a lei que autoriza a privatização da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa) ser sancionada pelo governador Romeu Zema (Novo), a estatal anunciou os resultados da revisão tarifária para o período entre janeiro do ano que vem e dezembro de 2029. O efeito tarifário médio (ETM) para 2026 será de 6,56%.

O texto que autoriza a privatização foi publicado nesta terça-feira (23), enquanto a revisão tarifária foi comunicada ao mercado nessa segunda-feira (22). O processo foi conduzido pela Agência Reguladora de Serviços de Abastecimento de Água e de Esgotamento Sanitário de Minas Gerais (Arsae-MG).

A revisão tarifária não pode ser confundida com o reajuste anual dos valores pagos pelos consumidores. 

Enquanto o reajuste aplica correções inflacionárias e parâmetros previamente definidos, a revisão reestrutura a tarifa a partir de uma análise completa das condições de prestação dos serviços e do mercado atendido. O último ciclo, concluído em 2021, resultou em efeito tarifário médio negativo de 1,52% e unificou a tarifa de esgoto para coleta e tratamento.

Mercado se anima

A revisão tarifária positiva foi bem recebida pelo mercado financeiro. Em relatório enviado a investidores na manhã desta terça, o Itaú BBA teceu comentários elogiosos à decisão. Na visão do banco de investimentos, a mudança mais positiva para os acionistas foi a mudança na forma de cálculo do custo médio ponderado de capital, conhecido pela sigla WACC em inglês.

O WACC é responsável, em suma, por apontar o custo médio para a manutenção das atividades de uma empresa. Antes dos descontos tributários, a nova alíquota será de 13,7%. Depois dos tributos, o índice será de 9,7%.

“A atualização mais positiva foi a aprovação da mudança na metodologia do WACC, que agora define uma remuneração regulatória bruta de impostos. Este era um dos marcos aguardados pelo mercado, permitindo que a empresa capture os benefícios fiscais de juros sobre o capital (IoC). Essa mudança aumenta a eficiência da remuneração do capital e apoia a criação de valor ao longo do ciclo tarifário”, pontuou o Itaú BBA.

Troca na presidência

A revisão tarifária e a sanção da lei de privatização não representam as únicas novidades da Copasa nesta semana. A estatal anunciou a saída de Fernando Passalio da presidência e a escolha da atual secretária de Estado de Meio Ambiente, Marília Melo, para substituí-lo.

Passalio ocupava o comando da estatal desde março, na vaga de Guilherme Duarte.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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