Apesar de variação, países do Brics foram os maiores compradores das exportações mineiras em 2025

China se mantém no topo do ranking de países importadores de produtos do estado. Tarifaço afetou vendas para os EUA
zema na china
Governador Zema assina, em Xangai, na China, acordo de cooperação com o gigante asiático. Foto: Aluísio Eduardo/Imprensa MG

Os 10 países que, além do Brasil, compõem o bloco dos Brics (Arábia Saudita, China, Egito, Emirados Árabes Unidos, Etiópia, Indonésia, Irã, Rússia, África do Sul e índia) compraram 39,6% dos US$ 45,7 bilhões exportados por Minas Gerais em 2025. As nações que integram a coalizão importaram US$ 18,1 bilhões — cerca de R$ 97,3 bilhões na cotação atual — em mercadorias produzidas pelo estado. Os dados são do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Seis dos dez países que integram o conglomerado, no entanto, apresentaram queda de 26,3% nas importações de produtos de Minas Gerais entre 2024 e 2025. O movimento puxou para baixo a participação do grupo nos embarques totais do estado, que encolheu de 42% para 39,6% na comparação anual. A retração sinaliza uma diminuição da relevância da coalizão no comércio exterior mineiro no último ano.

Embora o valor absoluto das compras do Brics tenha subido 2,1%, passando de US$ 17,6 bilhões para US$ 18,1 bilhões, o grupo não acompanhou o ritmo de crescimento das exportações mineiras para outros mercados. Enquanto o bloco avançou discretamente, as vendas globais de Minas Gerais saltaram 8,57%, subindo de US$ 41,9 bilhões para US$ 45,6 bilhões no mesmo período.

Dependência chinesa

Em 2025, somente a China importou US$ 15,9 bilhões em produtos mineiros, mais do que os US$ 15,4 bilhões investidos em 2024.

Para se ter uma ideia da concentração, o gigante asiático comprou US$ 15,97 bilhões em 2025, o que significa que a China embarca 7,3 vezes mais do que todos os outros nove países da coalizão somados, que juntos totalizam US$ 2,17 bilhões.

Críticas

Ao longo do ano passado, o governador Romeu Zema (Novo) fez diversas manifestações públicas pedindo a saída do Brasil do Brics. O grupo que tem na China sua mais pujante economia segue, no entanto, liderando os investimentos em importações compradas do estado. 

Tarifaço

Já os Estados Unidos da América (EUA) seguem no segundo posto do ranking. Em 2025, apesar do tarifaço imposto pelo presidente Donald Trump, os norte-americanos adquiriram US$ 4,2 em itens advindos de Minas, montante inferior aos US$ 4,6 do ano anterior.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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