Embate pelo comando de Câmara da Grande BH faz vereadores brigarem durante sessão

Sessão termina sem votação após confronto e questionamento jurídico sobre eleição antecipada
Racha político provoca tumulto e trava eleição da Mesa em Santa Luzia. Foto: Divulgação / CMSL

O plenário da Câmara Municipal de Santa Luzia, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), foi palco de empurra-empurra e bate-boca entre vereadores na manhã desta quinta-feira (29). O embate foi instaurado durante sessão que debatia a possibilidade de antecipação da eleição da Mesa Diretora da Casa. O mandato dos atuais chefes do Legislativo termina em dezembro.

O presidente da Câmara, Glayson Johnny (Avante), defendia que a Mesa Diretora para o biênio 2027-2028 fosse escolhida já nesta quinta-feira. A votação, porém, acabou cancelada. Vereadores da chapa opositora acusam o presidente da Câmara de ter encerrado o pleito ao perceber que não reuniria apoios suficientes para vencer a disputa.

Glayson, que é colega de partido do prefeito Paulo Bigodinho, tentava a reeleição. Do outro lado, estava o vereador Andrei Bicalho (União Brasil), filho do vice-prefeito Ilacir Bicalho (Republicanos).

O momento mais tenso ocorreu após acusações de que reuniões políticas de parlamentares ligados à chapa opositora teriam sido monitoradas por um assessor da presidência. A denúncia provocou bate-boca no plenário e terminou em acusação de tentativa de agressão.

Ivo Melo (PSD), líder do governo na Câmara e candidato a vice-presidente pela chapa desafiante, afirma que um assessor do presidente teria ido a um local onde vereadores se reuniram para debater as estratégias eleitorais.

“O presidente marcou a eleição de uma hora para outra, dando apenas 48 horas para registrar chapa. A gente fez nossas candidaturas e começou a fazer articulações e reuniões. Aí ele (o assessor) apareceu onde estávamos, filmando carro, vigiando chegada e saída. Fui perguntar no plenário por que ele estava olhando a gente por cima do muro e tirando nossa privacidade. Foi quando ele veio para cima para me agredir”, disse, a O Fator.

O parecer

Enquanto o ambiente esquentava no plenário, chegou aos vereadores um parecer jurídico que acabou esfriando a tentativa de votação. O documento concluiu que a eleição antecipada seria inconstitucional, por contrariar entendimento do Supremo Tribunal Federal (STF).

Segundo a jurisprudência da Corte, a eleição da Mesa para um novo biênio só pode ocorrer a partir de outubro do ano anterior ao mandato, garantindo que a escolha reflita a composição política mais atual da Casa. Antecipações fora desse marco podem levar à anulação judicial do processo.

Procurado pela reportagem, o atual presidente da Câmara limitou-se a dizer que não estava no plenário quando ocorreu o desentendimento entre seu assessor e o vereador Ivo Melo.

Até o momento, não há registro oficial de ocorrência policial sobre o episódio.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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