Propag e calendário eleitoral devem dar fôlego à construção em Minas em 2026, diz Fiemg

Investimentos públicos em infraestrutura podem impulsionar o setor, que amargou, em MG, média pior do que a nacional em 2025
Foto mostra operário em obra
Uma das contrapartidas do Propag é o financiamento de ações de infraestrutura no estado. Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil

A adesão de Minas Gerais ao Programa de Pleno Pagamento de Dívidas dos Estados (Propag) e o calendário eleitoral de 2026 devem criar um ambiente mais favorável para a retomada da atividade econômica no estado, após um ano marcado por desaceleração, especialmente no setor da construção. A avaliação consta no Boletim da Construção divulgado pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), nesta segunda-feira (9).

Segundo a entidade, a expectativa de estabilização da inflação, a perspectiva de início do ciclo de redução da taxa básica de juros em 2026 e a ampliação dos gastos públicos neste ano, conforme aponta a Lei Orçamentária Anual (LOA) estadual, formam um conjunto de fatores que tende a estimular a demanda por obras e serviços de infraestrutura.

Nesse contexto, o Propag assume papel central ao criar espaço fiscal condicionado à realização de investimentos estruturantes no próprio estado.

A dívida de Minas Gerais junto à União gira em torno de R$ 180 bilhões. Pelas regras do programa, para ter redução no serviço da dívida, o estado precisa destinar entre 0,5% e 2% do saldo negativo ao financiamento de ações em áreas como infraestrutura.

Na prática, parte do alívio obtido com a renegociação da dívida passa a ser canalizada obrigatoriamente para investimentos, criando um vínculo direto entre ajuste fiscal e atividade econômica.

A LOA de 2026 já incorpora esse movimento. Os investimentos diretos previstos pelo Executivo estadual em transporte rodoviário somam cerca de R$ 2 bilhões, acima da média de R$ 1,5 bilhão registrada nos quatro anos pós-pandemia.

“As perspectivas para 2026 mostram-se mais favoráveis em decorrência de evidências empíricas que apontam para um padrão recorrente de expansão dos gastos em infraestrutura em anos eleitorais, tanto no âmbito federal quanto estadual”, diz o estudo da Fiemg.

2025 ruim para a construção

O cenário projetado para 2026 contrasta com o desempenho observado em 2025. No terceiro trimestre do ano passado, o Produto Interno Bruto (PIB) da construção em Minas Gerais recuou 0,9% em relação ao trimestre anterior, enquanto o resultado nacional avançou 1,3%.

No acumulado de quatro trimestres, o setor registrou retração de 0,1% no estado, frente a um crescimento de 2,5% no Brasil.

A desaceleração se espalhou pela cadeia produtiva. A produção de insumos típicos da construção acumulou queda de 0,9% em 2025, enquanto a fabricação de bens de capital destinados ao setor caiu 0,7% no acumulado de 12 meses até novembro. O ambiente de crédito restrito e o aumento dos custos pressionaram a atividade e o emprego.

Em dezembro de 2025, o Índice Nacional de Custo da Construção – Mercado (INCC-M) acumulou alta de 6,1% em 12 meses, puxada principalmente pela mão de obra, que subiu 9,2%.

No mesmo período, o número de pessoas ocupadas na construção caiu 3,7% em Minas Gerais na comparação anual do terceiro trimestre, enquanto o Brasil apresentou crescimento de 2,3%.

Tatiana Moraes é jornalista especialista em comunicação estratégica, com MBAs em Gestão de Negócios e Comunicação Eleitoral e Marketing Político. Foi repórter dos jornais Hoje em Dia e Diário do Comércio e atuou como diretora de Comunicação da AMM e assessora-chefe de Comunicação da Secretaria de Estado de Governo (Segov).

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