A pergunta de Falcão ao PSDB e a Aécio sobre as eleições em Minas

Recém filiado ao Republicanos, presidente da AMM discutiu cenário para sucessão de Zema com tucanos em Brasília
Reunião de Falcão, Aécio e Paulo Abi-Ackel
Falcão se encontrou com Aécio e representantes do PSDB no mesmo dia em que se filiou ao Republicanos. Foto: Giselle Costa / PSDB Nacional

Na mesma terça-feira (24) em que oficializou a filiação ao Republicanos, o presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Patos de Minas (Alto Paranaíba), Luís Eduardo Falcão, se reuniu com lideranças do PSDB — entre elas, o deputado federal Aécio Neves. O Fator apurou que o encontro serviu para sondar se os tucanos topariam embarcar em uma eventual candidatura de um integrante do Republicanos ao governo de Minas Gerais. A opção prioritária da legenda é o senador Cleitinho Azevedo.

Os tucanos não responderam à consulta de Falcão. O partido ainda mapeia opções e não decidiu o que fará na disputa majoritária. A esse cenário, soma-se a indecisão de Cleitinho, que não bateu o martelo sobre a hipótese de concorrer à sucessão de Romeu Zema (Novo). Pelo que soube a reportagem, o senador pretende definir até maio se estará ou não no páreo.

Embora tucanos tenham saído da reunião com Falcão apontando que o presidente da AMM deu sinais de que pode ser candidato a deputado federal, interlocutores do Republicanos ouvidos por O Fator não descartam que ele encabece uma chapa ao Palácio Tiradentes caso Cleitinho não vá às urnas.

O presidente do PSDB em Minas Gerais, Paulo Abi-Ackel, acompanhou Aécio na conversa com Falcão.

Aproximação

A possibilidade de filiação de Falcão ao Republicanos começou a ganhar força entre o fim de 2025 e o início deste ano. O presidente da AMM, inclusive, se aproximou do presidente estadual do partido, o deputado federal Euclydes Pettersen, presente à solenidade que confirmou o embarque do novo quadro na sigla.

Nos bastidores do Republicanos, a chegada de Falcão é lida, também, como uma forma de Pettersen buscar musculatura interna. No ano passado, o parlamentar foi alvo de mandado de busca e apreensão no âmbito da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal (PF) para apurar irregularidades em deduções em aposentadorias e pensões pagas pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

As investigações fizeram com que um setor do Republicanos passasse a reivindicar a troca no comando da sigla em Minas. O entendimento é que, com a chegada de Falcão, o parlamentar pode ganhar um aliado importante nas articulações partidárias.

Fim de período sem legenda

Luís Eduardo Falcão estava sem partido desde abril do ano passado, quando deixou o Novo.

Ele abandonou o partido de Romeu Zema a reboque da eleição para a presidência da AMM, por entender que o chefe do Executivo estadual não deu mostras concretas de que o apoiava na disputa contra Doutor Marcos Vinícius. À ocasião, Zema se equilibrou entre elogios e afagos a ambos.

O episódio não apenas culminou na desfiliação de Falcão, mas também transferiu os embates políticos para o campo direto entre o prefeito e o vice-governador Mateus Simões (PSD), especialmente diante do afastamento de Zema das pautas municipalistas.

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