Dirigentes nacionais do PL comentam nos bastidores que o apoio do partido à eventual candidatura do vice-governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), ao comando do estado, dependerá também do posicionamento que ele adotará na área de segurança pública quando assumir a chefia do Executivo estadual, no fim deste mês.
A posse acontecerá por causa da saída do governador Romeu Zema (Novo) do cargo para se dedicar à pré-campanha ao Palácio do Planalto. Paralelamente, o PL mantém a avaliação de que as pautas ligadas à segurança pública constituem a principal bandeira de seus candidatos e parlamentares que disputarão a reeleição.
A leitura é de que, diante do perfil da composição atual da Assembleia Legislativa (ALMG), em que parte dos deputados do partido adota discurso crítico em relação à gestão estadual, Simões teria de fazer gestos para apaziguar a relação.
Entre os citados estão os deputados estaduais Sargento Rodrigues e Cristiano Caporezzo. Eles são críticos contumazes, em plenário e nas redes sociais, da ausência de reposição inflacionária nos vencimentos dos servidores da segurança pública em Minas.
Fontes explicam não haver como eles e outros candidatos cobrarem recomposição salarial e, ao mesmo tempo, apoiarem uma candidatura ligada ao grupo que detém o poder no estado e, segundo eles, não atende a essa demanda.
No PL de Minas, contudo, há nomes que defendem uma aliança com Simões. E apesar da reticência de quadros como Rodrigues, o PL tem representantes no governo estadual, como a deputada licenciada Alê Portela, chefe da pasta de Desenvolvimento Social.
Vantagem também para Simões
Nos bastidores, é dito que Simões entende que, além da força de bancada, dos recursos e do tempo de campanha que ampliam sua projeção em Minas, o PL agregaria à chapa peso sobretudo no tema da segurança pública, considerado estratégico na disputa pelo governo de Minas.
O vice-governador, inclusive, cumpriu, nos últimos dias, agendas no estado ao lado do deputado federal Nikolas Ferreira, que é um dos principais nomes da agremiação sobre o assunto. Mas o eventual embarque do PL na coalizão liderada pelo PSD mineiro também depende de um fator nacional.
Se Zema manterá a candidatura à Presidência da República ou se apoiará o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na corrida ao Palácio do Planalto. Caso Zema siga no páreo nacional, Simões já declarou que fará campanha para o político do Novo, o que tende a afastar os liberais da composição.
Dúvidas
O PL se encontra em um cenário indefinido quando se trata da escolha de um nome para disputar o governo estadual nas eleições deste ano. Além de apoiar Simões, a legenda avalia a possibilidade de coligação com o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, sigla que conta também com o nome do presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM) e prefeito de Patos de Minas, Luís Eduardo Falcão, como opção.
Correligionários do ex-presidente Jair Bolsonaro apontam que é preciso analisar a viabilidade de Cleitinho e Falcão ao longo da campanha eleitoral. Paralelamente, o PL considera uma aliança com o Republicanos, assim como com União Brasil e PP, um movimento imprescindível para garantir musculatura a Flávio na disputa nacional.
Outra opção no cenário é a candidatura própria. Após Nikolas Ferreira descartar entrar na corrida, o nome prioritário do PL para essa hipótese passou a ser o do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, que pretende se filiar ao partido neste mês. Para a legenda, caso queira entrar no jogo, o empresário precisará demonstrar força política ao longo da pré-campanha.
Flávio de olho em Minas
Como mostrou O Fator, o senador Flávio Bolsonaro afirmou a aliados que pretende direcionar cerca de 70% da agenda dos dois primeiros meses de pré-campanha à Presidência da República para visitas a Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. O giro deve iniciar após o fim dos 30 dias da janela partidária, que começa em 6 de março.
Uma das preocupações do PL neste ano é manter próximo de 90 o número de cadeiras na Câmara dos Deputados e ampliar a representação no Senado Federal e nas Assembleias Legislativas. Em Minas, conforme interlocutores, o plano é conseguir eleger 30 deputados federais e estaduais.
Após essa reorganização partidária, Flávio vai percorrer as cidades com os nomes que sairão como candidatos ao Legislativo pelo país. A definição sobre o nome ao governo mineiro, contudo, deve ficar para o fim do semestre.
Em relação à escolha por Minas, aliados citam a máxima recorrente no meio político de que quem vence no estado vence no país. O território mineiro também concentra o segundo maior colégio eleitoral nacional e é o estado de origem de Nikolas.
Outro elemento mencionado por fontes ouvidas pelo O Fator é o peso simbólico do estado para a família Bolsonaro. Foi em Juiz de Fora, na Zona da Mata, que o pai de Flávio sofreu um atentado a faca durante a campanha presidencial de 2018.
O partido quer explorar esse episódio ao longo da pré-campanha. Entre as cidades que devem ser visitadas entre março e abril estão Belo Horizonte, Juiz de Fora (Zona da Mata), Montes Claros (Norte) e Uberlândia (Triângulo).