Brasil não está mais entre as 10 potências econômicas do mundo

Trabalhadores atuam em planta industrial
Brasil precisa decidir se quer continuar vivendo do peso de sua escala ou se pretende construir um projeto consistente de crescimento. Foto: EBC

O Brasil voltou a aparecer nas projeções internacionais mais recentes como a 11ª maior economia do mundo em PIB nominal, em um movimento que reacende o debate sobre competitividade, produtividade e capacidade de crescimento sustentado. Mais do que um dado de ranking, o reposicionamento funciona como sinal de alerta para um país que segue entre os maiores mercados globais, mas ainda distante de um desempenho compatível com seu tamanho e seu potencial.

O país continua contando com mercado interno robusto, base agroindustrial relevante, recursos naturais abundantes, posição estratégica e peso regional. Ainda assim, encontra dificuldade para transformar essas vantagens em avanço consistente de produtividade, renda e competitividade.

O contexto recente ajuda a explicar esse movimento. Em meio à desaceleração da atividade, juros elevados e menor dinamismo dos investimentos, o crescimento perdeu fôlego. O Brasil permanece grande em escala, mas tem encontrado mais obstáculos para sustentar ciclos longos de expansão. Nesse cenário, perder posição relativa em rankings internacionais acaba refletindo não apenas uma questão estatística, mas também limitações estruturais conhecidas há décadas.

Entre esses entraves estão a baixa produtividade, o excesso de burocracia, a insegurança regulatória/jurídica, a complexidade tributária (que cada vez fica pior) e os gargalos logísticos. Empreender, contratar, investir e crescer no Brasil ainda exige um nível de esforço desproporcional quando comparado ao de economias que competem por capital, empresas e inovação. O resultado é uma economia que reage, mas com frequência abaixo do que poderia entregar. Por isso, muitos empresários estão vendo a internacionalização de seus negócios como a melhor oportunidade para crescimento, diversificação de capital e expansão.

Internamente, o impacto desse tipo de notícia vai além da simbologia. Ela afeta a percepção sobre a capacidade do país de atrair investimentos produtivos, influencia a confiança do setor empresarial e reforça uma sensação recorrente: o Brasil tem dimensão de protagonista, mas ainda opera com desempenho de coadjuvante em diversos indicadores centrais. O problema, portanto, não é ser uma economia grande; é não conseguir converter grandeza em eficiência.

A reflexão que esse cenário impõe é direta. O Brasil precisa decidir se quer continuar vivendo do peso de sua escala ou se pretende construir um projeto consistente de crescimento. O mundo não espera e o capital brasileiro está indo para outros países. Enquanto outras economias avançam em inovação, qualificação de mão de obra, digitalização, infraestrutura e modernização institucional, o país ainda gasta energia excessiva tentando superar obstáculos básicos que já deveriam ter sido enfrentados há muito tempo.

Superar esse quadro exige prioridade na agenda de produtividade. Isso passa por educação de base com mais qualidade, formação técnica conectada ao mercado, estímulo à inovação, modernização da infraestrutura e um ambiente de negócios mais previsível. Também requer responsabilidade fiscal, estabilidade macroeconômica e segurança jurídica, elementos essenciais para reduzir incertezas e criar condições para investimentos de longo prazo.

Ao mesmo tempo, o país não parte do zero. O Brasil segue reunindo ativos relevantes, inclusive em setores com forte potencial de tração, como agronegócio, energia, serviços, transição sustentável, indústria de valor agregado e comércio internacional. O desafio está em articular essas forças dentro de uma estratégia nacional mais coordenada, capaz de gerar competitividade permanente e não apenas resultados pontuais.

No fim, a principal pergunta não deveria ser apenas por que o Brasil aparece agora como a 11ª economia do mundo. A pergunta mais importante é por que o país, há tanto tempo, insiste em performar abaixo do que pode. Mais preocupante do que perder uma posição é se acostumar com a estagnação relativa e tratar o potencial desperdiçado como algo normal.

O Brasil continua grande. Mas tamanho, sem direção, sem produtividade e sem capacidade de execução, pesa menos do que poderia no cenário global. Para voltar a subir de forma consistente, o país precisará fazer mais do que celebrar seu mercado e seus recursos. Precisará, finalmente, transformar potencial em resultado.

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