Após veto do Psol a federação com o PT, deputada mineira avalia mudar de partido

Corrente integrada pela parlamentar foi a única a se posicionar pelo ingresso do partido na aliança liderada pelos petistas
Grupo da parlamentar no Psol estuda migração coletiva para o PT. Foto: Alexandre Netto/ALMG

A decisão do diretório nacional do Psol de não embarcar na federação liderada pelo PT, tomada nesse sábado (7), pode mudar os rumos do partido em Minas Gerais. A deputada estadual Bella Gonçalves, única representante da sigla na Assembleia Legislativa (ALMG), tem conversas com a direção petista sobre uma possível migração.

Pré-candidata a deputada federal, Bella integra a “Revolução Solidária”, única corrente do Psol que se posicionou pela entrada do partido na aliança composta por PT, PCdoB e PV.

Os dirigentes da tendência encampada por Bella e pelo ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Guilherme Boulos, estudam a possibilidade de embarque coletivo no PT.

Caso seja esse o caminho escolhido por Bella, a decisão sobre a filiação da parlamentar será tomada em conjunto pela bancada petista na Câmara dos Deputados. Segundo apurou O Fator, a entrada de Bella conta com o apoio da presidente do PT em Minas, a deputada estadual Leninha.

A parlamentar nega as conversas com o PT e diz que o debate sobre os rumos da “Revolução Solidária” é nacional. A reportagem mantém a apuração.

Cenários

Em 2022, a Federação Brasil da Esperança elegeu 10 deputados federais em Minas. Inicialmente, todos eles são candidatos à reeleição. Odair Cunha (PT), contudo, caminha para ser indicado pelo presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), a uma cadeira no Tribunal de Contas da União (TCU).

A avaliação de dirigentes do PT ouvidos pela reportagem é de que a deputada estadual Lohanna França (PV) e os petistas Pedro Rousseff, vereador em BH, e Gleide Andrade, tesoureira nacional do partido, estarão na Câmara dos Deputados a partir de 2027.

Nesta equação, caso os nove deputados federais da aliança sejam reeleitos, a federação precisaria ter votos suficientes para eleger 12 representantes no Congresso Nacional. Com a eventual filiação de Bella ao PT, este número passaria para 13.

Já a federação com a Rede, cuja manutenção foi aprovada pela direção nacional do Psol nesse sábado, elegeu em solo mineiro a deputada federal Célia Xakriabá (Psol).

Ainda pelo que apurou a reportagem, se a “Revolução Solidária” decidir pela filiação imediata ao PT, a Rede passará a avaliar o encerramento da federação com o Psol. Sem o grupo liderado por Boulos, a visão de dirigentes da Rede é de que a aliança enfrentaria dificuldades para superar a cláusula de barreiras.

As alternativas cogitadas por dirigentes da Rede são um acordo com PSB ou com o PDT.  

O que diz Bella Gonçalves?

Em nota, a parlamentar negou as conversas com o PT. “Nosso esforço coletivo enquanto Revolução Solidária (corrente interna do partido) foi de defender uma federação ampla de esquerda com o PT, PCdoB, PV e Rede. Esse é o debate que estava sendo feito até agora. O que há é um debate nacional sobre caminhos, uma vez que foi revelada uma diferença estratégica de visão de futuro em relação a maioria que se formou no partido, contraria a federação”, indicou.

“Não há nenhuma resolução formada a partir disso, já que a decisão do partido foi tomada nesse fim de semana. Tampouco houve conversas com a direção estadual do PT sobre filiação. Eu, como a fonte principal da matéria, não fui procurada para qualquer esclarecimento. Sigo comprometida com a luta política pela eleição do presidente Lula, pela ampliação da esquerda no Congresso Nacional e, principalmente, com as lutas sociais que me trouxeram até aqui”, completou.

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