PF em Minas retira R$ 1,2 bilhão do crime com orçamento de R$ 46,5 milhões

Para cada R$ 1 destinado à corporação em 2025, as organizações criminosas deixaram de movimentar R$ 25,8
O superintendente da PF em Minas Gerais, Richard Murad Macedo
O superintendente da PF em Minas Gerais, Richard Murad Macedo. Foto: Tatiana Moraes/O Fator

A Polícia Federal em Minas Gerais operou em 2025 com orçamento de R$ 46,532 milhões, mas “descapitalizou” o crime organizado em R$ 1,2 bilhão no mesmo período. Na prática, o valor retirado de circulação, o terceiro maior do país entre as regionais, foi 25,8 vezes superior ao total destinado à corporação no ano, em um cenário em que o efetivo da Superintendência soma 750 servidores, número inferior aos 853 municípios mineiros.

Isso significa que para cada R$ 1 destinado à PF, as organizações criminosas deixaram de movimentar R$ 25,8.

Os dados foram apresentados pelo superintendente regional da Polícia Federal em Minas Gerais, Richard Murad Macedo, durante café com a imprensa realizado nesta quinta-feira (26), na sede da PF, em Belo Horizonte.

Orçamento cresce, mas estrutura segue apertada

Para 2026, o orçamento da PF em Minas está previsto em R$ 55,221 milhões em 2026, o que representa uma alta de 18,7% em relação ao verificado em 2025. Ainda assim, o avanço é modesto diante da dimensão territorial do estado e da quantidade de frentes operacionais mantidas pela corporação.

Segundo Murad, a PF aguarda a distribuição nacional de cerca de 2 mil novos profissionais que estão em formação. A expectativa de interlocutores envolvidos no processo é que aproximadamente 40 sejam destinados a Minas Gerais, um reforço ainda limitado diante da escala do estado e da atual defasagem entre o número de servidores e o total de cidades mineiras.

Foco em grandes investigações

Os números apresentados pela Superintendência mostram aumento da atividade operacional em 2025. A PF em Minas realizou 362 operações policiais, alta de 65% em relação a 2024, quando foram registradas 220 ações. Com esse desempenho, o estado ficou em 2º lugar nacional em número de operações.

O material também mostra que o interior respondeu por uma parcela maior das ações do que a capital. Foram 242 operações fora de Belo Horizonte, contra 120 na capital, reforçando o peso das unidades descentralizadas na estratégia de repressão adotada pela corporação em Minas.

Entre os principais alvos das operações em 2025 aparecem crimes contra direitos humanos, com 182 ações, abuso sexual infantojuvenil, com 99, crimes fazendários, com 82, tráfico de drogas, com 35, e crimes ambientais, com 25.

Inquéritos mais rápidos e maior taxa de solução

O superintendente também destacou mudanças na condução dos inquéritos. Em 2025, a PF em Minas tinha 3.670 inquéritos em andamento, com 3.410 instaurados e 3.680 relatados ao longo do ano. O índice de solução chegou a 79,92%.

O tempo médio dos inquéritos chama a atenção. Ele caiu de 490 dias, em setembro de 2024, para 405 dias em dezembro de 2025, redução de 17,3%. A corporação atribui esse movimento a uma reorganização interna voltada à redução da carga de investigações e à priorização de casos com maior potencial de resultado.

No ano passado, a PF em Minas registrou ainda 751 prisões entre flagrantes e mandados judiciais, 920 mandados de busca e apreensão expedidos, 2.646 indiciados, 169 vítimas resgatadas, apreensão de 22 toneladas de maconha, 3,5 toneladas de cocaína e 165 armas.

Passaportes, crimes cibernéticos e deportados

Além das operações criminais, a superintendência também concentra atividades administrativas de grande escala. Em 2025, a PF em Minas emitiu 240.581 passaportes, média de 962 por dia, o que colocou o estado em 3º lugar no país nesse serviço. O tempo médio de agendamento foi de 1,6 dia.

Na área de crimes cibernéticos, o material registra 107 operações e 45 prisões em 2025, acima das 61 operações e 17 prisões de 2024. Já o controle de produtos químicos alcançou 1.026 empresas fiscalizadas no estado, enquanto a fiscalização de segurança privada e instituições financeiras atingiu 219 empresas.

Outro dado apresentado por Murad Macedo foi o fluxo migratório pelo Aeroporto de Confins. O levantamento mostra 12.642 deportados com chegada em Minas Gerais nos últimos cinco anos.

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