O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) surpreendeu aliados ao fazer críticas públicas à gestão da saúde em Minas Gerais durante discurso no plenário do Senado nesta terça-feira (7), em sessão alusiva ao Dia Mundial da Saúde.
O gesto foi interpretado por interlocutores como um movimento incomum de Pacheco, conhecido pela postura discreta em relação ao governo estadual, e ocorre em meio à pressão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do PT para que o parlamentar dispute o Palácio Tiradentes nas eleições de outubro.
No pronunciamento, o ex-presidente do Senado evitou citar nomes, mas apontou falhas estruturais na condução da política de regionalização de saúde em Minas. Segundo ele, o estado convive com “um abismo entre o planejamento técnico e a realidade assistencial”, o que obriga pacientes de cidades pequenas a percorrer “distâncias proibitivas” em busca de atendimento, especialmente no Norte e no Vale do Jequitinhonha.
Pacheco também destacou a paralisação de obras de hospitais regionais, que, de acordo com o senador, “deveriam ser os pilares da descentralização da saúde mineira, mas tornaram-se símbolos de ineficiência e desperdício de recursos”.
Para ele, a falta de regionalização efetiva sobrecarrega os grandes centros urbanos e compromete a capacidade do Sistema Único de Saúde (SUS) de garantir acesso equitativo à população.
“Corrigir essas distorções históricas e reduzir as desigualdades regionais deve ser a nossa prioridade”, afirmou. “A saúde precisa chegar aonde a mineira e o mineiro vivem e trabalham. Encurtar distâncias é salvar vidas.”
O discurso, embora restrito à pauta sanitária, chamou atenção pelo tom crítico e pelo foco em Minas Gerais. O episódio acentuou as especulações sobre a movimentação política do senador, que recentemente se filiou ao PSB.
A decisão sobre ser candidato ainda não foi anunciada. Próximo a Lula, o senador tem indicado que apenas definirá seu caminho eleitoral mais perto do início oficial das campanhas.