A pré-candidatura de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República nas eleições deste ano esbarra em um impasse que ele mesmo reconhece nos bastidores, que, por ora, não tem como resolver: o PSD em Minas Gerais se divide em ao menos três alas, mas nenhuma delas é favorável, neste momento, ao ex-governador de Goiás.
O governador Mateus Simões deixou o Novo e se filiou ao PSD em outubro do ano passado com um acordo costurado com o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab. O comabinado era de que Simões teria o caminho livre para apoiar o seu antecessor, Romeu Zema (Novo), na corrida ao Palácio do Planalto.
O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), por sua vez, atua para alinhar a sigla ao projeto de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), como já ocorre em diretórios do estados do Nordeste. E, há ainda, os remanescentes do grupo do senador Rodrigo Pacheco, que migrou para o PSB, mas não levou toda a base consigo.
Diante desse cenário, interlocutores de Caiado passaram a tratar a “neutralidade” como saída viável para o partido no estado. Na prática, significa que Simões e Silveira fariam seus apoios de forma pessoal, sem carregar a estrutura, o número, a identidade e a imagem do PSD para o palanque de outros candidatos.
Nesse sentido, já há compromisso interno firmado no PSD de apoio oficial ao presidenciável em atos pelo estado, com a presença de candidatos ao Legislativo. Simões também é esperado em eventos.
Fontes lembram que Minas não é um estado qualquer na conta de nenhum presidenciável, já que se trata do segundo maior colégio eleitoral do país. Por isso, a avaliação é de que a neutralidade não entrega ganho algum para Caiado, mas evita perdas formais. Há o cálculo ainda de que, em um segundo turno, ele e Zema estariam unidos no campo da direita.
Zema como vice: tentativa persiste
Nos bastidores, Caiado e Kassab já discutiram a possibilidade de ter Zema como vice em uma eventual chapa. A hipótese foi negada publicamente tanto pelo mineiro quanto pelo Novo, mas resolveria ao menos parte do problema, já que levaria Simões para o arco de aliança e reduziria a fragmentação, no estado, do voto à direita para o Planalto.
O ex-governador de Goiás trocou o União Brasil pelo PSD em março deste ano. Ele se filiou à legenda com outros dois já pré-candidatos à Presidência na sigla. Enquanto o governador do Paraná, Ratinho Júnior, desistiu da disputa, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite, criticou a decisão da sigla de apoiar o nome de Caiado.
Conta desfavorável
O quadro em Minas se soma a perdas que Caiado já acumula em outras regiões. Durante a janela partidária, a bancada do PSD na Câmara incorporou deputados do Nordeste alinhados à reeleição de Lula, além de pré-candidatos a governador da sigla que já sinalizaram disposição de fazer palanque ao petista.
Interlocutores de Caiado reconhecem que ele já tinha ciência desse perfil ao se filiar ao partido em março, mas apostava em compensar as perdas com força em estados das regiões Centro-Oeste, Sul e Sudeste, como Minas. Até aqui, contudo, essa compensação não se materializou.