O senador Rodrigo Pacheco (PSB-MG) afirmou, nesta terça-feira (5), que decidirá até o fim deste mês se vai disputar o governo de Minas Gerais nas eleições deste ano. Conforme apurou O Fator, o parlamentar quer novas conversas com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e aliados antes de bater o martelo.
Com sinalizações positivas desse diálogo, que envolve a estrutura de campanha que o presidente pode oferecer, as garantias para uma eventual derrota e a viabilidade financeira de governar um estado deficitário, o senador pretende montar uma força-tarefa. O grupo deve acertar os detalhes da pré-candidatura e buscar partidos para apoiá-lo no pleito.
“Vou analisar. Acho que até o final deste mês de maio é um bom tempo”, disse o senador, antes de participar de sessão solene no Senado. O presidente nacional do PT, Edinho Silva, inclusive, tenta um encontro com o parlamentar para acelerar a decisão nesta semana, mas o senador disse que ainda não há nada agendado.
O senador continua sendo tratado pelo petista como a única opção da esqueda para a disputa ao comando do estado. Pacheco não fez definições sobre a corrida eleitoral, mas se filiou ao PSB no início de abril, principalmente por influência de Lula. Aliados acreditam que pode surgir uma resposta positiva por parte do senador.
Como mostrou O Fator, após a migração para o PSB, Pacheco intensificou a proximidade com o presidente e ampliou agendas políticas com pré-candidatos e lideranças. O movimento busca medir o ambiente político e a receptividade a uma eventual candidatura ao governo estadual.
Esse movimento de indecisão, inclusive, tem causado apreensão em petistas, que cogitam outros caminhos e se mostram incomodados com o fato de a decisão não ser tomada junto ao PT mineiro, mas sim pela direção nacional em Brasília.
STF na mesa
A dúvida de Pacheco sobre ser ou não candidato ao governo do estado remonta ao ano passado, quando chegou a falar na possibilidade de deixar a vida pública após Lula optar por indicar o advogado-geral da União, Jorge Messias, para a vaga surgida com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso no Supremo Tribunal Federal (STF).
Preterido pelo presidente, Lula passou a ter como prioridade convencer Pacheco a disputar o governo mineiro, mas, de lá para cá, o senador não deu sinais claros nem a aliados sobre se vai ou não entrar no pleito. Tem dito que a decisão depende das garantias que o presidente oferecer.
Sobre o STF, Messias teve o nome rejeitado pelo plenário do Senado na semana passada, e Pacheco é visto como uma das pessoas capazes de pacificar a relação entre Lula e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O amapaense articulou contra a aprovação do advogado-geral após Lula preferir indicar Messias a Pacheco para a Corte.