Ex-procurador-geral de Justiça de Minas Gerais e recém-filiado ao PSB, Jarbas Soares Júnior diz não se considerar o “plano B” do partido na disputa pelo governo de Minas Gerais. Aliado do senador e correligionário Rodrigo Pacheco, nome preferido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para concorrer ao Executivo estadual, ele afirma que a decisão do parlamentar sobre o convite de Lula será de foro íntimo. Embora ainda aguarde os próximos passos de Pacheco, Jarbas já definiu que não tentará um cargo legislativo.
“Não me considero plano B ou plano A, mas um cristão novo. A pessoa que tem o estofo político hoje é o senador Rodrigo Pacheco. Eu indo ao partido com ele, obviamente tenho de respeitar os movimentos que ele vai fazer. No momento em que me filiei com ele, recuei das conversas com pessoas que estavam me procurando em casa”, pontuou, em entrevista a O Fator nessa quarta-feira (6).
Dois dias atrás, Pacheco sinalizou que baterá o martelo a respeito da sucessão estadual até o fim deste mês. Como mostrou a reportagem, o ex-presidente do Congresso Nacional quer, antes de fechar questão a respeito do tema, ter novas conversas com Lula e com integrantes de seu grupo político.
O diálogo com o presidente da República envolve pontos como a estrutura de campanha, as garantias para uma eventual derrota e a viabilidade financeira de governar um estado deficitário, que lida com uma dívida beirando os R$ 200 bilhões.
Jarbas conversou com O Fator durante a 41° edição do Congresso Mineiro de Municípios, promovido pela Associação Mineira de Municípios (AMM) e sediado no Expominas, em Belo Horizonte. Ele e Pacheco pretendem iniciar uma série de viagens e conversas com lideranças municipais antes mesmo de uma definição a respeito da candidatura do senador.
“Tenho a impressão de que ele vai ter uma manifestação mais clara em determinado momento. O que decidimos juntos é que vamos caminhar, agora em maio e junho, por Minas Gerais, e também (acontecerão) algumas reuniões em Brasília, com prefeitos, para receber os benefícios de emendas”, explicou.
Os motivos do ‘veto’ ao Legislativo
Jarbas Soares chefiou o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) por quatro mandatos bienais. O primeiro ciclo foi de 2004 a 2008; o segundo, de 2020 ao ano retrasado.
De acordo com o pessebista, não há como concorrer à Assembleia Legislativa (ALMG) ou à Câmara dos Deputados por não ter feito, previamente, a estruturação de apoios de lideranças regionais. O Senado Federal também está fora de cogitação.
“Qualquer pessoa da área pública como eu se sentiria altamente estimulado ao cargo de senador, mas acho que a eleição para o Senado vai ter uma discussão muito pobre: quem é a favor ou contra o impeachment de ministros do Supremo. Não quero participar desse debate”, analisou.
O que explica a entrada na política
Ao relembrar o período à frente da Procuradoria-Geral de Justiça, Jarbas citou momentos como a construção dos acordos de reparação Mariana e Brumadinho, cidades afetadas pelo rompimento de barragens de rejeitos minerários em 2015 e 2019, respectivamente. Ele também recordou a participação do MPMG na mediação do impasse entre as prefeituras de Nova Lima e Belo Horizonte a respeito de obras viárias na divisa entre as cidades.
“O Ministério Público tem (relação) com os movimentos populares e com as pessoas que o Estado não vê: catadores, movimento negro, pessoas em situação de rua, indígenas, ciganos, mulheres violentadas e crianças violentadas”, iniciou.
“Da minha parte, só se justifica ir para a política se tivermos essa visão de Estado olhando para os mais pobres. Pobre, o Estado tem de ajudar. Rico, o Estado não pode atrapalhar. (Precisa) deixar as atividades econômicas acontecerem, obviamente, com regulação”, completou.
PSB em compasso de espera
A despeito de Jarbas Soares adotar cautela sobre o rótulo de alternativa a Pacheco, interlocutores do campo lulista apontam o ex-procurador e o empresário Josué Gomes, também recém-filiado ao PSB, como opções para o caso de Pacheco não encabeçar uma chapa.
Presidente do PSB em Minas, o prefeito de Conceição do Mato Dentro, Otacílio Neto, mantém a confiança no aceite do senador ao convite de Lula, mas indicou nesta semana que, em caso de recusa, a legenda buscará uma candidatura “viável e moderada”.
