O PL decidiu, nesta terça-feira (12), caminhar com o Republicanos nas eleições ao governo de Minas Gerais. A conclusão veio após reuniões entre dirigentes nacionais e estaduais do partido, que avaliaram ser necessário ter um palanque no estado com apoio total à pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência da República.
O senador Cleitinho Azevedo (Republicanos-MG) é o plano A da aliança em função do desempenho em pesquisas e da identificação com a ala ideológica da sigla, mas ainda precisa bater o martelo sobre a candidatura.
Caso Cleitinho decida ficar fora do pleito, o PL aposta em Flávio Roscoe, presidente licenciado da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), que já tem o compromisso de apoio do próprio senador. A decisão foi tomada em duas reuniões nesta terça.
A primeira contou com a participação de Cleitinho e teve, pelo PL, os deputados federais Nikolas Ferreira, responsável pelas articulações do partido no pleito deste ano; Zé Vitor, presidente do diretório em Minas; e Domingos Sávio, pré-candidato ao Senado. O objetivo foi sondar as intenções do senador.
Pelo que apurou O Fator, o senador mineiro não quis cravar prazo para dar uma resposta sobre a candidatura. Ele também chegou a brincar que primeiro quer ver a Copa do Mundo, que ocorre entre junho e julho deste ano, para depois pensar nas convenções. Cleitinho se comprometeu, porém, a apoiar o nome que os liberais escolherem para a corrida eleitoral.
Ainda segundo interlocutores, Nikolas, que até recentemente apoiava publicamente o governador Mateus Simões (PSD), também terá papel central na tarefa de aproximação com o parlamentar, inclusive para reconstruir pontes com o Republicanos.
A bancada ideológica da legenda também deve entrar nesse esforço de convencimento do senador. O presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, também quer Cleitinho candidato, de olho em Minas e São Paulo, onde o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) vai disputar a reeleição.
Procurado para comentar sobre as últimas movimentações, Pereira afirmou que as lideranças da sigla mineira têm autonomia para tocar as negociações.
Reunião nacional do PL
Essas devolutivas foram levadas a uma segunda reunião, na sede do PL em Brasília, com Flávio Bolsonaro, o senador Rogério Marinho (PL-RN) e Roscoe, onde a aliança com o Republicanos foi definida.
Segundo interlocutores, o partido vai agora investir na imagem de Roscoe, fazendo-o circular pelo estado, encomendar pesquisas para avaliar a recepção ao nome dele e entender de que forma ele poderia se sair melhor em uma eventual candidatura.
Simões fora das conversas
Antes, também estava na mesa do PL uma possibilidade de aliança com o PSD, mas a posição do governador Mateus Simões de apoiar o nome do seu antecessor, Romeu Zema (Novo), para o Palácio do Planalto inviabilizou o acordo.
Vale lembrar que Zema, inclusive, rejeitou o convite do filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) de ser vice na chapa presidencial. A avaliação interna do PL foi direta: “Zema é Mateus, Mateus é Zema”, o que impossibilita alinhamento no primeiro turno.
Além disso, a sigla de Simões tem nome próprio à Presidência da República, o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado, o que tornaria o palanque no estado fora da rota que deseja Flávio. Zema recusou o convite para ser vice de Flávio Bolsonaro.
Procurado, Zé Vitor, que assumiu oficialmente nesta terça-feira a presidência da sigla em Minas, afirmou que a conjuntura nacional tem impedido o PL de construir um projeto com Mateus Simões, a quem disse respeitar, mas ressaltou que isso não pode paralisar as decisões do partido. Segundo ele, as próximas duas semanas serão decisivas.
“A gente definiu hoje que PL e Republicanos vão caminhar juntos em Minas, num projeto maior por Minas Gerais e, inclusive, dar uma sustentação ao projeto do Flávio Bolsonaro. Qualquer que seja o cenário de governador ou vice, isso vai ser definido nas próximas semanas, mediante conversas, mediante pesquisas”, afirmou.
Como mostrou O Fator, Simões chegou a tentar convencer o PL de que seria possível caminhar junto no primeiro turno, com a promessa de intermediar conversas com Zema e até defender uma frente mais ampla em nome da “direita” no estado. O argumento, contudo, não convenceu a cúpula da legenda.
Outro ponto que complica o ambiente de alianças mais amplas é o desgaste provocado por Zema com PP e União Brasil, após ataques ao senador Ciro Nogueira (PP-PI) relacionados à investigação envolvendo o banco Master.
Flávio Bolsonaro em Minas
No encontro, também foi confirmado que Flávio Bolsonaro cumprirá agenda em Minas na primeira semana de junho. Ele também deve participar da Festa Nacional do Milho (Fenamilho), em Patos de Minas, na região do Alto Paranaíba.