Justiça prorroga afastamento de servidores investigados por fraudes em contratos da Sudecap

Órgãos sustentaram que retorno de investigados poderia comprometer apurações sobre supostas irregularidades em contratos de obras
Prefeitura menciona descarte de documentos ao defender afastamento de investigados. Foto: Rogério França / Divulgação PBH

A Justiça prorrogou, por 180 dias, o afastamento cautelar de cinco servidores da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) investigados na Operação As Built, que apura supostas irregularidades em contratos da Superintendência de Obras da Capital (Sudecap). A extensão da licença dos funcionários atende a pedidos do Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) e do próprio poder Executivo.

A Operação As Built foi deflagrada em novembro do ano passado pelo MPMG e pela Polícia Civil. Os investigadores suspeitam que as irregularidades podem ter causado prejuízo de R$ 35 milhões aos cofres municipais.

Os servidores afastados são lotados na Sudecap. Pelo que O Fator apurou, o grupo, afastado desde o fim do ano passado, já foi avisado de que a dispensa das atividades seguirá válida.

O primeiro pedido de extensão das licenças partiu da Sudecap e da Secretaria Municipal de Obras e Infraestrutura, que encaminharam ofício ao MPMG em 6 de maio. No dia seguinte, o Ministério Público acolheu os argumentos apresentados pela administração municipal e requereu à Justiça a prorrogação da cautelar por mais 180 dias.

O primeiro período de afastamento também vigorou por seis meses. Os servidores seguem recebendo os salários.

Na manifestação encaminhada ao MPMG, a Sudecap e a Secretaria de Obras afirmaram que as circunstâncias que motivaram o afastamento permaneciam inalteradas. Segundo os órgãos, desde a deflagração da operação, foram intensificados os trabalhos de apuração interna, com abertura de processos administrativos sancionadores, Tomadas de Contas Especiais e outras investigações relacionadas aos contratos sob análise.

“Permanece o receio de que o retorno dos investigados ao ambiente de trabalho onde se desenvolvem as investigações possa trazer risco à instrução criminal, bem como das demais investigações em curso na Autarquia”, lê se em um trecho do ofício assinado pelo secretário Municipal de Obras e Infraestrutura, Leonardo José Gomes Neto e pelo superintendente da Sudecap, Maurício Fonseca Brandão.

O documento menciona relatos de exclusão de registros eletrônicos e descarte de documentos físicos atribuídos a Adriano de Souza Morato, que comandou a Diretoria de Infraestrutura da Sudecap entre março de 2021 e fevereiro de 2025. A eliminação dos materiais, segundo o ofício, aconteceu em janeiro do ano passado, quando Adriano teria sido informado sobre sua iminente exoneração.

Outro fundamento apresentado pela prefeitura foi a necessidade de preservar servidores que colaboraram com as investigações. Conforme a manifestação, a retomada da convivência entre investigados, denunciantes e técnicos responsáveis pela produção de relatórios utilizados nas apurações poderia gerar constrangimentos e interferir nos procedimentos ainda em andamento.

Reforço do MPMG

Ao analisar o pedido, o Ministério Público concordou com os argumentos apresentados pela administração municipal. Na petição protocolada junto à Justiça, o órgão sustentou que os fatos investigados guardam relação direta com as funções exercidas pelos servidores e que não houve alteração do quadro que justificou a adoção da cautelar.

Ainda conforme o MPMG, a investigação permanece em andamento, com realização de oitivas, requisição de documentos e produção de provas periciais. Também destacou que os materiais apreendidos durante as fases da As Built — incluindo documentos físicos e arquivos digitais — continuam sendo analisados.

“Assim, a manutenção da medida cautelar mostra-se necessária para resguardar a higidez da instrução, prevenir interferências indevidas na colheita probatória e assegurar a efetividade da persecução, sobretudo, porque não houve modificação do quadro fático existente quando da decretação da medida cautelar sob análise a justificar o retorno dos investigados às respectivas funções públicas”, afirma o promotor Leonardo Duque Barbabella, da 17ª Promotoria de Justiça de Belo Horizonte.

A prorrogação dos afastamentos vale, além de Adriano de Souza Morato, para Charle Ferreira de Almeida, Leandro Cupertino Correia, Renato Gonçalves de Mello Junior e Sônia Emerich de Oliveira.

O pedido não foi estendido a Rosemary Xavier Santana e Aguinaldo Santos, também investigados. Ela já está aposentada; ele deixou o cargo comissionado antes da deflagração da operação.

Guilherme Jorgui é jornalista e tem especialização em comportamento eleitoral, opinião pública e marketing político (UFMG).

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