O que dizem os bastidores da PBH sobre a paralisação de servidores da Urbel

Categoria cobra reajuste salarial e abertura de concurso público para cobrir déficit de profissionais da empresa.
Manifestação de servidores com faixa pedindo concurso público.
Servidores da Urbel fazem mobilização nesta quarta-feira (27) a favor de concurso público e reajuste salarial. Foto: Reprodução/WhatsApp.

Trabalhadores da Companhia Urbanizadora e de Habitação de Belo Horizonte (Urbel) fazem uma paralisação nesta quarta-feira (27) para cobrar revisão salarial e abertura de um concurso público para atender a demanda da empresa pública. Diante da pressão, O Fator ouviu, nos bastidores da Prefeitura de BH, que a expectativa de momento é que o próximo período chuvoso, a ser iniciado em outubro deste ano, ainda seja encarado pela Urbel com o atual quadro de funcionários — alvo de denúncias de insuficiência por parte dos sindicatos representativos do setor. 

Fontes ligadas a Urbel admitem o desfalque para este próximo período chuvoso, mas garantem que haverá abertura de edital para um novo concurso ainda neste ano. Assim, o planejamento da prefeitura é realizar provas no primeiro semestre do ano que vem para conseguir nomear os novos servidores antes do intervalo de cheias de 2027-2028.

Oficialmente, a Urbel “informa que mantém diálogo permanente, aberto e transparente com os empregados e as entidades sindicais, além de cumprir todas as medidas acordadas nas reuniões realizadas”. 

Em relação ao plano de carreira, a empresa esclarece que a “proposta encontra-se em análise técnica, jurídica e orçamentária”. 

“Quanto ao concurso público, o processo está em andamento, inclusive com a comissão já definida e publicada. No momento, aguardam-se definições relacionadas à disponibilidade financeira e aos ajustes necessários quanto ao quantitativo de cargos a serem ofertados”, pontua a Urbel.

Em 11 de outubro do ano passado, a prefeitura publicou no Diário Oficial do Município (DOM) uma portaria que instituiu uma comissão para organizar o novo concurso da Urbel. No entanto, não houve grandes avanços desde então. Fontes ligadas ao processo afirmaram à reportagem que a ideia da Urbel é abrir mais do que 100 vagas no concurso, mas o número exato depende da gestão orçamentária do município.

“Dos cerca de 300 funcionários que temos hoje em nosso quadro, cerca de 80 são contratos de trabalho, que já foram renovados uma vez, mas estarão saindo da empresa entre dezembro e janeiro deste ano, durante o período de chuva. […] Nosso volume de trabalho está aumentando muito. Esse número de funcionários já está insuficiente. Perdendo (os comissionados), será pior ainda”, afirma Washington Monteiro Silva, diretor do Sindicato de Engenheiros em Minas Gerais (Senge MG).

Criada em 1983, a Urbel tem como principal função a implementação da Política Municipal de Habitação Popular. Cabe à empresa a implementação de políticas públicas para redução do déficit habitacional na cidade, a partir, por exemplo, da realização de obras em locais em vulnerabilidade social. Uma das principais atribuições da empresa é executar os contratos do Município com o governo federal no âmbito do programa “Minha Casa, Minha Vida”.

Histórico de promessas

Em 30 de junho do ano passado, a Secretaria Municipal de Governo se comprometeu a estudar o atendimento das demandas da categoria. Um ofício, assinado pelo secretário responsável pela pasta Guilherme Daltro, ao qual a reportagem teve acesso, sinaliza a necessidade de “planejamento cuidadoso e observância aos princípios da responsabilidade fiscal” para conceder reajuste aos servidores da Urbel.

“Dessa forma, torna-se inviável apresentar uma proposta de revisão de imediato. No entanto, esta gestão compromete-se a imprimir esforços para que a revisão seja conduzida ao longo do ano de 2025, com previsão de apresentação (de proposta) em 2026, garantindo sua inclusão no planejamento orçamentário”, escreve Daltro no ofício de junho do ano passado. 

Sobre o concurso público, o secretário informou, na ocasião, que a PBH estudava o “dimensionamento do efetivo necessário à realização das atividades” da Urbel. O prazo dado também foi este ano. 

É justamente a falta de avanço concreto nessas promessas que motiva a mobilização desta quarta-feira. Trabalhadores da Urbel estiveram na porta da Secretaria Municipal de Planejamento, na Avenida Augusto de Lima, em BH, para cobrar as demandas citadas. 

Durante a manhã, eles tentaram conversar com o secretário responsável pela pasta, Bruno Passeli, mas não foram recebidos. Uma secretária dele solicitou o envio de um e-mail detalhando os pedidos.

Durante a tarde, a categoria se desloca para a Câmara de BH, onde se reúne com vereadores da Casa. Haverá agendas com Bruno Pedralva (PT) e Wagner Ferreira (Rede). Outros parlamentares também devem participar das discussões: Iza Lourença (Psol), Luiza Dulci (PT) e Helton Júnior (PSD). A ideia dos trabalhadores também é realizar uma “corrida” a outros gabinetes.

Novo presidente

Como noticiou O Fator em março, o engenheiro civil José Adeilson Colares assumiu a presidência da Urbel recentemente. Ele substituiu Claudius Vinicius Leite Pereira.

Na ocasião, o prefeito Álvaro Damião (União Brasil) também criou o cargo de vice-presidente da empresa, hoje ocupado por Andrea Scalon, ex-diretora de Habitação e Regularização Fundiária da Urbel.

Colares é aliado do prefeito desde o começo da trajetória política de Damião. Já Andrea Scalon tem boa relação com o secretário municipal de Política Urbana, Leonardo Castro.

Repórter de bastidores e orientado por dados de O Fator em Belo Horizonte, onde cobre política e mercado. Também é professor da Faculdade de Comunicação e Artes da PUC Minas, onde leciona disciplina ligada ao jornalismo de dados. Trabalhou por sete anos no jornal Estado de Minas, onde foi repórter e coordenador de jornalismo de dados. Também trabalhou no caderno de política do jornal O TEMPO por dois anos. É master em Jornalismo de Dados, Automação e Data Storytelling pelo Insper.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

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