Pré-candidata do PT ao Senado Federal e ex-prefeita de Contagem (Região Metropolitana), Marília Campos aproveitou a passagem por Belo Horizonte do presidente nacional petista, Edinho Silva, no fim de semana, para reforçar o pedido pela abertura de tratativas com o MDB sobre uma eventual aliança com Gabriel Azevedo, pré-candidato ao governo. O Fator apurou que o encontro entre Marília e Edinho aconteceu nesse domingo (31).
Diante da ideia, Edinho sinalizou que levará o assunto ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Como a reportagem revelou, Lula indicou a correligionários que, em um cenário sem o senador Rodrigo Pacheco (PSB), que na sexta-feira (28) oficializou a intenção de deixar a vida pública após o fim do mandato parlamentar, tem predileção por uma candidatura nativa do PT.
No meio da semana passada, Marília já havia sugerido a Edinho que conversasse com Gabriel. Desta vez, a solicitação foi feita após a Executiva estadual do PT aprovar resolução que determina o início imediato de tratativas por uma candidatura própria ao Palácio Tiradentes.
Edinho Silva aterrissou em solo mineiro para participar, no sábado (30), de um encontro da cúpula do PT mineiro com militantes. Marília não esteve na atividade por causa de compromissos no Vale do Suaçuí, no Leste do estado.
Disputa velada
A ex-prefeita de Contagem é um dos nomes citados por interlocutores do PT para encabeçar uma eventual chapa da sigla ao governo estadual. Ela, no entanto, tem dito reiteradamente que não pretende abrir mão da pré-candidatura ao Senado. O deputado federal Reginaldo Lopes, outro cotado, também resiste à possibilidade.
Em meio aos obstáculos, surge como possibilidade o nome de Sandra Goulart, ex-reitora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Na resolução em que admite lançar candidatura própria, a direção do PT mineiro afirma ser “inadmissível que, em pleno maio de 2026”, a agremiação esteja “esperando por nomes externos” para liderar a coalizão lulista no estado.
Apesar de o caminho com candidatura própria ter conseguido musculatura nos últimos dias, outras fontes ponderam que a decisão do PT não pode ser tomada sem debates com siglas próximas a Lula, como o PSB. O receio é que uma decisão essencialmente interna afaste aliados.
Simpatia verde
No que tange a Gabriel, cabe ressaltar que setores do PV, partido que compõe uma federação com PT e PCdoB, defendem uma aliança a ele.
A intenção de Marília é que a composição com o ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH) tenha ainda o PSB, agremiação de Pacheco. Conforme mostrou O Fator, a despeito da decisão do senador de não se candidatar, os pessebistas pretendem oferecer a Lula alternativas para protagonizar o palanque local. O leque conta, por exemplo, com o ex-procurador-geral de Justiça de Minas, Jarbas Soares e com o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes.