Os partidos aliados ao PT reticentes sobre a candidatura de Patrus em Minas

Na última vez em que os petistas tiveram candidato próprio, ex-governador Fernando Pimentel ficou fora do segundo turno
Nome do ex-ministro de Lula será oficializado pelos petistas na próxima segunda-feira em evento na capital mineira. Foto: Flickr/PT na Câmara

O PT se prepara para oficializar o deputado federal Patrus Ananias ao governo de Minas Gerais, mas PV e PSB, dois partidos historicamente ligados aos petistas, estão distantes da unanimidade quanto a um possível apoio ao ex-prefeito de Belo Horizonte.

No caso dos verdes, integrantes de uma federação que conta, além dos petistas, com o PCdoB, há uma divisão. Enquanto a direção estadual defende o alinhamento à estratégia nacional de reeleger o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), uma ala influente da sigla trabalha pelo apoio ao ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte (CMBH), Gabriel Azevedo (MDB).

No PSB, o cenário é similar. Embora a sigla possa, sob um acordo nacional, indicar o vice de Patrus, a ideia é vista com reticências por parte da cúpula local.

A aliados, o presidente estadual do partido, Otacílio Neto, o Otacilinho, tem afirmado que houve acenos do PT em prol da retirada da pré-candidatura do ex-procurador-geral de Justiça Jarbas Soares Júnior. Ao comentar as sinalizações, o dirigente disse interpretá-las como um erro estratégico da agremiação de Lula.

Nessa quinta-feira (16), o ex-ministro petista José Dirceu disse a O Fator esperar que Jarbas seja o companheiro de chapa de Patrus.

Divisão interna

À frente da defesa do apoio do PV a Patrus está o presidente estadual da legenda, Osvander Valadão. Em conversa com O Fator, ele afirmou que o movimento está em sintonia com a orientação nacional, mas sustentou que a candidatura petista não inviabiliza futuras alianças.

“Estaremos atuando onde for o melhor pavimento para a reeleição do presidente Lula. Essa é uma questão fechada no PV nacionalmente. A escolha de Patrus, que é um grande quadro e tem uma das melhores biografias do estado, não fecha as portas, pelo contrário. Acho que melhora as chances de composições e alianças. Muitas coisas ainda devem acontecer nos próximos dias”, disse.

Nos bastidores, porém, o consenso está longe de existir. Na avaliação do grupo que defende a composição com Gabriel Azevedo, embora Patrus tenha uma das biografias mais respeitadas da política mineira, sua candidatura enfrenta dificuldades para se viabilizar eleitoralmente.

Para esses dirigentes, o petista tende a cumprir um papel mais relevante na consolidação do palanque de Lula em Minas do que propriamente na disputa pelo Palácio Tiradentes.

O eventual apoio a Gabriel de parte do PV, contudo, terá de ser informal. A Justiça Eleitoral estabelece que partidos componentes de uma federação devem estar na mesma coligação em todo o âmbito nacional. Por isso, os verdes vão constar, oficialmente, na chapa petista.

PSB tem dúvidas, mas debate vices

Na esteira de um possível acordo para indicar o vice, o PSB não tem apenas Jarbas como opção Também são avaliados o ex-senador e ex-vice-governador Clésio Andrade e o ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes.

Além da resistência de pré-candidatos a deputado federal, lideranças do PSB temem a repetição de um cenário vivido em 2018, quando a direção nacional retirou a candidatura de Marcio Lacerda para apoiar a reeleição de Fernando Pimentel (PT), que acabou ficando fora do segundo turno.

Procurados pela reportagem, Jarbas Soares Júnior e Clésio Andrade afirmaram que preferem deixar a decisão para o partido.

O ex-procurador disse ter ficado “lisonjeado” com a lembrança de Dirceu para compor com Patrus.

“Patrus foi meu professor. Tenho imensa admiração e respeito por ele, mas não posso falar por hipóteses que não foram apresentadas ao partido. Sou o pré-candidato do PSB”, pontuou.

“Sou candidato a governador. Depende do partido“, disse Clésio.

Já quanto a Josué Gomes, O Fator apurou que o empresário sinalizou ao presidente nacional do partido, ex-prefeito de Recife (PE) João Campos, que só entrará na disputa eleitoral caso seja convidado oficialmente por Lula. Ele foi acionado pela reportagem e prometeu retornar aos contatos, mas ainda não o fez.

A tendência é que a posição do PSB na eleição majoritária seja oficializada apenas em 2 de agosto, dia da convenção estadual. Otacilinho também foi procurado por O Fator. O espaço segue aberto para manifestação.

Júlio Soares é jornalista e mestre em Relações Internacionais pela PUC-Minas. Tem passagens pela Assessoria de Comunicação da Prefeitura de Belo Horizonte, Assembleia Legislativa e Congresso Nacional. Atuou também em campanhas eleitorais e ofereceu gestão de conteúdo e marketing para entidades de classe e agências de publicidade.

Ana Mendonça é jornalista e estudante de Ciência Política, ex-colunista do Estado de Minas, onde cobriu os bastidores da política mineira por 8 anos. Em 2024, foi reconhecida no 30 Under 30 da International News Media Association.

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