Equatorial oferece R$ 49,03 por ação e vence disputa pela privatização da Copasa

Resultado foi divulgado ao mercado nesta quarta-feira (3); Aegea se retirou do páreo
Barragem da Copasa no Rio Juramento
Equatorial venceu a disputa pelo posto de investidor de referência. Foto: Copasa/Divulgação

A Equatorial será a nova investidora de referência da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). O resultado foi informado pela estatal ao mercado nesta quarta-feira (3).

O grupo vencedor apresentou oferta de R$ 49,03 por ação. O montante é superior ao preço mínimo de R$ 47,23 por papel, estabelecido pela estatal na semana passada, no ato de relançamento dos documentos do processo. A operação totalizará cerca de R$ 5,5 bilhões.

Além da Equatorial, a Aegea também chegou a formalizar uma proposta para assumir o posto de investidor âncora. A mudança em alguns parâmetros do processo de privatização, contudo, fez com que a segunda concorrente, que montou um veículo com seus sócios para a disputa, abrisse mão da empreitada, segundo fontes ouvidas por O Fator. A Copasa deu aos proponentes que já haviam se apresentado a prerrogativa de desistir ou de encaminhar outro lance.

O investidor âncora da Copasa assumirá 30% da companhia. Dono de 50,03% dos títulos da empresa, o governo estadual deseja, além de encaminhar uma porção majoritária ao parceiro de referência, negociar de forma pulverizada outros 15%, mantendo 5% sob seu poder. Alternativamente, a administração pública chegou a desenhar uma engrenagem sem referência, com a pulverização de até a totalidade de seus títulos.

A privatização está ancorada na chamada oferta secundária, em que os recursos obtidos com a transação vão direto para o caixa do acionista vendedor. A gestão do governador Mateus Simões (PSD) deseja utilizar o montante arrecadado em obras de infraestrutura do leque de contrapartidas à adesão ao Programa de Pleno Pagamento das Dívidas dos Estados (Propag).

A Equatorial entrou na disputa sem a Sabesp, empresa de saneamento paulista da qual é a controladora. Privatizada no ano retrasado, a Sabesp chegou a se credenciar para apresentar proposta pela Copasa, mas, ao indicar o recuo, disse que “entende que existem relevantes oportunidades de crescimento no próprio estado de São Paulo”.

Conforme o fato relevante, a Equatorial manifestou o desejo de fazer alocação acionária adicional por meio da compra de títulos destinados aos investidores profissionais. Assim, o desembolso poderá chegar a R$ 7,9 bilhões.

Próximas etapas

Agora, as atenções se voltam para os outros 15%. Além da alocação adicional da Equatorial, Perfin, maior acionista privada da companhia, mira adquirir mais papéis por meio dessa etapa e, assim, se tornar uma espécie de líder dos minoritários.

O período de reserva para investidores não profissionais está programado para ocorrer entre 5 e 9 de junho.

A coleta de intenções de investimento, conhecida como procedimento de bookbuilding, deve acontecer entre 5 e 10 de junho. A fixação do preço por ação está programada para 10 de junho, com a divulgação do anúncio de início em 12 de junho.

O início das negociações das ações na B3 está previsto para 15 de junho, e a liquidação financeira para 16 de junho de 2026. A data limite para divulgação do anúncio de encerramento da oferta é 9 de dezembro de 2026.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

Lucas Ragazzi é jornalista investigativo com foco em política. Integrou o Núcleo de Jornalismo Investigativo da TV Globo e tem passagem pelo jornal O Tempo, onde cobriu o Congresso Nacional e comandou a coluna Minas na Esplanada, direto de Brasília, e pela Itatiaia. É autor do livro-reportagem “Brumadinho: a engenharia de um crime”.

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