Representantes das direções de PT e PSB em Minas Gerais vão se encontrar nesta terça-feira (21) para discutir a possibilidade de uma aliança no estado. Os petistas desejam que os pessebistas indiquem o candidato a vice-governador na chapa do deputado federal Patrus Ananias. O Fator apurou que uma das hipóteses em debate é a construção de um acordo nacional entre as siglas a fim de viabilizar a união.
Mais cedo, ao oficializar a pré-candidatura de Patrus ao Palácio Tiradentes, a deputada estadual Leninha, que preside o PT mineiro, afirmou que as conversas com o PSB estão “bastante avançadas”.
“Quem sabe a gente não consiga repetir em Minas a dobrada nacional?”, disse, mencionando a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.
Em Minas, três nomes estão em discussão para a vaga de vice. Um deles é o de Jarbas Soares Júnior, ex-procurador-geral de Justiça e pré-candidato do PSB a governador. Os outros são os do ex-senador e ex-vice-governador Clésio Andrade e do ex-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Josué Gomes. A direção do PT não pretende vetar nenhum deles.
Ainda conforme apuração de O Fator, Clésio é quem mais tem se articulado internamente para ser o indicado, enquanto Jarbas não descarta uma composição para concorrer ao Senado Federal ao lado de Marília Campos, ex-prefeita de Contagem e pré-candidata do PT à Casa.
Já Josué Gomes corre por fora. O empresário sinalizou ao presidente nacional do PSB, João Campos, que só entrará na disputa eleitoral caso seja convidado oficialmente por Lula. Na semana passada, em contato com O Fator, o empresário sinalizou apoio a Patrus, mas evitou comentar a possibilidade de compor a chapa.
A adesão do PSB à candidatura de Patrus, no entanto, está longe de encontrar consenso. Como mostrou a reportagem, os integrantes da chapa municipalista, como ficou conhecido o grupo de ex-prefeitos que escolheram a legenda para concorrer a cadeiras na Câmara dos Deputados, rejeitam a aliança com os petistas.
Um dos componentes do coletivo, Julvan Lacerda, ex-prefeito de Moema e ex-presidente da Associação Mineira de Municípios (AMM), não se licenciou a tempo de seu cargo no Senado Federal e já não pode concorrer no pleito de outubro.
Debate interno
Antes da conversa com o PSB, Leninha vai se reunir com representantes de PV e PCdoB, partidos com os quais o PT compõe uma federação. Parte dos verdes deseja dar apoio a Gabriel Azevedo, pré-candidato do MDB, mas um eventual acordo terá de ser informal, já que legendas federadas precisam, ao menos oficialmente, caminhar juntas na eleição.
Ainda segundo a dirigente, os próximos dias também serão marcados por uma conversa com o Psol, sigla que sinalizou apoio a Patrus e tenta incluir a ex-deputada federal Áurea Carolina como uma das candidatas da coligação ao Senado Federal.
Ao comentar sobre as tratativas para a formação de alianças, Patrus explicou que o ponto de partida é “unificar o PT”. Ele afirmou que participará das conversas, mas pontuou que a liderança do processo de articulação cabe a Leninha.
“Os próximos passos serão a busca de alianças democráticas e éticas. Com os partidos que formam conosco a federação, inicialmente; depois, outros partidos do campo da esquerda e do centro democrático, para alargarmos, cada vez mais, as possibilidades da nossa pré-candidatura ao governo”, projetou.