Cotado para disputar o governo de Minas Gerais, o senador Cleitinho Azevedo, do Republicanos, diz não que não confia totalmente que o presidente do partido, o deputado federal Marcos Pereira (SP), lhe dará legenda para o caso de decidir concorrer. A declaração foi dada à newsletter Jogo Político, distribuída a assinantes do jornal O Globo.
“Ele (Pereira) garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva partido”, afirmou.
Na mesma entrevista, Cleitinho chamou de “falso profeta” o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), congregação que detém influência sobre os rumos do Republicanos — Pereira, por exemplo, é pastor licenciado da Iurd.
Ao jornalista Thiago Prado, editor da newsletter, Cleitinho endossou o que O Fator mostrou no mês passado: possui a intenção bater o martelo sobre uma eventual candidatura ao governo mineiro após a Copa do Mundo, que começa na semana que vem.
“Não faço nenhuma questão de vir candidato, mas está virando uma onda o meu nome. Como é que eu não venho a governador agora? Só que eu não preciso ficar latindo que sou candidato, não, quem tem que fazer isso é quem está lá atrás nas pesquisas. Se eu fico falando que sou, perde o encanto. É tipo o que acontece com os artistas. O cantor chega para um show e vai para o camarim, oras, não fica andando lá no meio do povo. Senão as pessoas dão uma brochada. É tudo estratégia minha. Só vou decidir depois, em junho eu quero é ver os jogos da Copa”, falou.
Contraste
Quando perguntado por Prado sobre as chances, em uma escala de um a 10, de entrar na corrida pelo Palácio Tiradentes, o senador tergiversou. “Hoje, onze; amanhã pode ser um”.
“Entrei na política para aparecer, não sou hipócrita. Nunca nem tive título de eleitor, só queria ser famoso”, continuou. “Na verdade, queria ser comentarista de futebol ou apresentador de TV igual ao Ratinho. Se um dia tiver uma proposta, largo essa merda aqui”, emendou, em menção ao comunicador do SBT.
Embora Cleitinho coloque em xeque, ao menos parcialmente, a disposição da cúpula do Republicanos de bancar uma hipotética candidatura, O Fator já contou que a direção nacional da sigla trabalha nos bastidores com a possibilidade de encabeçar uma chapa no estado. Um dos movimentos diz respeito à busca por profissionais de marketing para atuar na empreitada.
Dois ‘vices’
Nesta semana, Cleitinho se encontrou com o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato do PL à Presidência da República. Flávio deseja tê-lo como líder do palanque em Minas Gerais.
Mesmo sem cravar que estará na disputa, Cleitinho já sinalizou a dois aliados diferentes que pretende tê-los como vice. Um é Vittorio Medioli (PL), ex-prefeito de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH); o outro é Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos e ex-prefeito de Patos de Minas, no Alto Paranaíba.