A estratégia de investidores com a revenda de ações privatizadas da Copasa

Dia útil seguinte à transferência de papéis ao setor privado foi marcado por salto nas negociações na B3
Fachada de prédio com letreiro escrito "copasa"
Os novos contratos entre a Copasa e as prefeituras de Betim e Contagem preveem a manutenção dos serviços de água e esgoto e repasses para obras de infraestrutura. Foto: Copasa / Divulgação

O pregão da B3 em 15 de junho registrou um salto nas negociações de ações da Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa). Naquele dia, a Bolsa de Valores brasileira contabilizou compra e vendas de papéis da então estatal mineira que somaram R$ 1,7 bilhão, muito acima da média de R$ 312 milhões dos 30 dias anteriores.

Segundo pessoas que acompanharam o desenrolar do processo, por trás da movimentação estavam as revendas de ações comercializadas pelo governo estadual no dia 12, na esteira da privatização.

No dia 12, uma sexta-feira, aqueles investidores que haviam demonstrado interesse em comprar os papéis da estatal foram informados oficialmente sobre quantas ações eles receberiam do Executivo estadual.

Como o processo de privatização não impôs travas à venda secundária dos papéis adquiridos no processo de follow on, aquela informação era importante, porque indicava quantas ações cada investidor poderia revender na B3 no próximo dia útil – 15, uma segunda-feira.

Os dados disponibilizados no site da B3 não detalham quanto do R$ 1,7 bilhão está relacionado à revenda de ações oriundas do processo de privatização. Mas a diferença entre o valor movimentado naquele pregão e a média histórica de negociações diárias dos papéis da Copasa sugere o tamanho da participação das revendas no pregão.

Negócio lucrativo

A revenda das ações compradas do governo de MG foi lucrativa para os investidores. No processo de privatização, cada papel foi precificado pelo governo estadual em R$ 49,03, mas no dia 15, quando as ações puderam ser revendidas na B3, o valor de mercado variava entre R$ 56,05 e R$ 57,94.

Ou seja, aqueles investidores que conseguiram adquirir ações da então estatal durante o processo de follow on e as venderam no dia 15, conseguiram lucrar ao menos R$ 7,02 por ação – ou 14,3%.

Questionada sobre o tema, a Copasa afirmou em nota que “não se manifesta publicamente acerca de rumores ou especulações de mercado a seu respeito, incluindo aqueles relacionados a oscilações em suas ações ou no volume negociado”.

Já a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Econômico de Minas Gerais (Sede) afirmou que “o modelo de oferta pública visou a competitividade da oferta, atrair investidores de longo prazo e assegurar a conclusão da operação em condições adequadas de mercado, seguindo práticas amplamente reconhecidas em operações de desestatização e de mercado de capitais.”

“Todo o processo de oferta pública da Copasa, desde a abertura até sua conclusão, seguiu todos os trâmites legais e de transparência”, acrescentou.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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