A demora do senador Cleitinho Azevedo em confirmar se será ou não candidato ao governo de Minas Gerais fez com que interlocutores do Republicanos, partido ao qual é filiado, passassem a cogitar, com preocupação, a possibilidade de que ele possa apoiar o vice-governador Mateus Simões (PSD), pré-candidato à reeleição.
A avaliação, no entanto, tem sido rebatida por aliados de Cleitinho ouvidos por O Fator. Como a reportagem já mostrou, o senador pretende bater o martelo sobre a questão após a Copa do Mundo, que termina em 19 de julho, às vésperas do início do período para realização das convenções partidárias.
No entendimento de pessoas próximas ao parlamentar, o temor manifestado por integrantes do Republicanos de abrir mão de uma candidatura própria em prol do embarque no palanque de Simões é, na verdade, uma tentativa de pressioná-lo a definir rapidamente se topa concorrer ao Executivo estadual.
O desejo pela candidatura de Cleitinho é vocalizado, sobretudo, pela direção nacional da legenda. Mesmo com a indefinição e com um recente atrito público entre o senador e o deputado federal Marcos Pereira (SP), que preside o partido, a cúpula da sigla mantém a avaliação de que a chapa liderada pelo parlamentar sairá do papel.
Adiamentos sucessivos
O fim da Copa do Mundo não é o primeiro prazo estipulado por Cleitinho para tomar a deliberação. Ele chegou a sinalizar que definiria se seria ou não candidato em março; depois, mencionou os meses de abril e maio.
O PL também aguarda o anúncio, já que o senador Flávio Bolsonaro (RJ), pré-candidato à Presidência da República, quer tê-lo como líder do palanque em Minas.
Como mostrou a reportagem, a calmaria do lado de Cleitinho, dizem interlocutores, passa por um cálculo pragmático: para ele, não há custo político na demora, e sim o contrário. Um dos fatores é a liderança nas pesquisas de intenção de voto.
A leitura é de que esse cenário evidencia a dependência de parte da direita em relação ao mineiro. Na avaliação de aliados do senador, bater o martelo antecipadamente traria mais riscos do que vantagens para o parlamentar, uma vez que ele se tornaria alvo de críticas.