Por que Cleitinho aposta em adiar sucessivamente decisão sobre candidatura em Minas

Quanto mais tardia for a decisão, avaliam interlocutores, maior a chance de chegar à disputa com menos desgaste político acumulado
O senador Cleitinho Azevedo ainda não decidiu se será candidato. Foto: Carlos Moura/Agência Senado

Partidos de direita aguardam o fim da Copa do Mundo, em 19 de julho, para cobrar do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos) uma definição sobre a candidatura ao governo de Minas Gerais.

O temor entre os aliados, porém, é que o parlamentar empurre a resposta para além disso e leve a indefinição ao período das convenções partidárias, previstas para ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.

Colegas dele no Republicanos e integrantes do PL avaliam que o principal beneficiado por esse compasso de espera é o próprio senador. Ao mesmo tempo, reconhecem nos bastidores que a margem para pressioná-lo é limitada.

A calmaria do lado de Cleitinho, dizem interlocutores, passa por um cálculo pragmático: para ele, não há custo político na demora, e sim o contrário. Um dos fatores é a liderança nas pesquisas de intenção de voto.

A leitura é de que esse cenário evidencia a dependência de parte da direita em relação à decisão de Cleitinho. Na avaliação de aliados do senador, bater o martelo antecipadamente traria mais riscos do que vantagens para o parlamentar.

Isso porque caso o congressista se declarasse pré-candidato agora, passaria a ser alvo de maior escrutínio e teria de responder com mais frequência aos ataques dos adversários. Nessa esteira, cabe aos demais buscar espaço e ampliar a visibilidade.

Enquanto isso, Cleitinho pode aproveitar o mandato no Senado para ampliar sua “exposição positiva” e reforçar a conexão com a base eleitoral. Além disso, interlocutores afirmam que ele espera primeiro saber quem mais será candidato antes de bater o martelo.

Outra ponderação feita é de que, se optar por não entrar na corrida eleitoral, continua com o mandato no Senado e não será prejudicado. “Ou seja, é aquela máxima de que: ‘tarda, mas não falha’. E ele é quem tem mais a perder se se candidatar e não vencer. Ou se candidatar e pegar um estado todo no vermelho sem um plano”, resume um interlocutor.

Os concorrentes

Hoje, já se colocam no páreo o governador Mateus Simões (PSD), por exemplo, que tenta ampliar o conhecimento de seu nome no estado e construir alianças com outras siglas de centro e direita, inclusive de olho no Republicanos.

Já o ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil (PDT) busca recuperar protagonismo político. Na esquerda, por sua vez, ainda não há consenso em torno de uma candidatura, mas indefinições.

Aliança com PL

Uma das maiores expectativas em torno da definição de Cleitinho está no PL. Caso o senador dispute o governo de Minas, integrantes do partido trabalham com a possibilidade de indicar o candidato a vice-governador da chapa.

Em um cenário diferente, a legenda avalia lançar o presidente licenciado da Fiemg, Flávio Roscoe. O compasso de espera, porém, dificulta os planos caso essa segunda hipótese prevaleça, já que seria necessário mais tempo para tornar um nome do empresariado conhecido.

Integrantes do campo conservador avaliam que os desdobramentos do caso sobre o banco Master, que atingiu o pré-candidato do PL à Presidência da República, o senador Flávio Bolsonaro (RJ), também contribuíram para ampliar a “paciência” dos liberais.

Na avaliação desses interlocutores, o episódio deu a Cleitinho ainda mais espaço para conter pressões por uma definição imediata e aguardar os próximos desdobramentos antes de anunciar seu futuro eleitoral.

Republicanos não consegue pressionar

Como O Fator já mostrou, Cleitinho transmite sinais diferentes a interlocutores. Enquanto alguns saem convencidos de que ele disputará o governo, outros acreditam no contrário.

A expectativa também existe dentro do Republicanos, comandado pelo deputado federal Marcos Pereira (SP). Nos bastidores, não é segredo que uma candidatura própria em Minas é prioridade para a sigla.

O estado possui o segundo maior colégio eleitoral do país e uma campanha competitiva ajudaria o Republicanos em seu principal objetivo: ampliar suas bancadas no Legislativo.

A conta fica ainda mais relevante porque a legenda aposta na reeleição do governador Tarcísio de Freitas em São Paulo e vê Minas como peça importante na estratégia nacional.

A indefinição sobre Cleitinho condiciona o futuro político de Luís Eduardo Falcão, ex-presidente da Associação Mineira dos Municípios (AMM) e ex-prefeito de Patos de Minas, que depende do espaço que será aberto na sigla. Ele é um dos cotados para formar dobradinha com o senador em caso de candidatura.

Fransciny Ferreira é jornalista, com especialização no setor público e em gestão de imagem. Atua na cobertura política, com experiência em redações, assessoria de imprensa e marketing digital. Foi editora-chefe de O Tempo em Brasília, assessora da Presidência do Senado e liderou estratégias de PR no setor farmacêutico. Sugestões de pautas para: [email protected]

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