Presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira (SP) reagiu à declaração do senador Cleitinho Azevedo (MG) sobre não confiar “100%” que o partido lhe dará legenda caso decida concorrer ao governo de Minas Gerais. A O Fator, Pereira afirmou que o correligionário parece não ter “segurança do que realmente quer”.
“Ele realmente não me conhece. Eu já disse várias vezes que ele (Cleitinho) terá legenda, mas me parece que ele não tem segurança do que realmente quer. Quem me conhece, o que não é o caso dele, sabe que só tenho uma palavra”, disse, nesta sexta-feira (5).
À newsletter Jogo Político, distribuída a assinantes do jornal O Globo, Cleitinho pontuou que só deve bater o martelo sobre entrar ou não na disputa eleitoral depois da Copa do Mundo, mas colocou em xeque a disposição do líder nacional do Republicanos de bancar uma eventual candidatura.
“Ele (Pereira) garante que me dará a legenda para me candidatar, mas não confio 100%. Não sou amigo dele, tenho nojo de qualquer coisa que envolva partido”, expôs.
Na mesma entrevista, Cleitinho chamou de “falso profeta” o bispo Edir Macedo, líder da Igreja Universal do Reino de Deus (Iurd), congregação que detém influência sobre os rumos do Republicanos — Pereira é pastor licenciado da Iurd.
Sinais nos bastidores
Como O Fator já mostrou, a direção nacional do Republicanos deseja a participação de Cleitinho na corrida rumo ao Palácio Tiradentes. Pereira é um dos nomes que, nos bastidores, advogam em prol de uma candidatura própria.
A agremiação, inclusive, iniciou recentemente a busca por profissionais de marketing para atuar em uma eventual campanha do senador ao Executivo estadual. O parlamentar aparece na liderança de diversas pesquisas de intenção de voto sobre a disputa.
Quem também mostra interesse na candidatura de Cleitinho é o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Pré-candidato à Presidência da República, o filho de Jair Bolsonaro tem o colega de Parlamento como plano A para encabeçar seu palanque regional. Nesta semana, Flávio cumpriu agendas em Minas Gerais e mencionou publicamente a intenção de construir uma aliança que envolva o ex-deputado estadual.
Ambiguidade
Em meio à espera por Cleitinho, interlocutores do Republicanos chegaram a demonstrar, meses atrás, incômodo com o vaivém do senador em debates sobre a sucessão estadual. Em alguns momentos, indica participação na disputa; em outros, prega cautela.
O tom, a propósito, foi seguido na entrevista a O Globo. Ao apontar, em uma escala de um a 10, as chances de aparecer nas urnas, Cleitinho despistou. “Hoje, onze; amanhã pode ser um”.
“Não faço nenhuma questão de vir candidato, mas está virando uma onda o meu nome. Como é que eu não venho a governador agora? Só que eu não preciso ficar latindo que sou candidato, não, quem tem que fazer isso é quem está lá atrás nas pesquisas. Se eu fico falando que sou, perde o encanto. É tipo o que acontece com os artistas. O cantor chega para um show e vai para o camarim, oras, não fica andando lá no meio do povo. Senão as pessoas dão uma brochada. É tudo estratégia minha. Só vou decidir depois, em junho eu quero é ver os jogos da Copa”, falou.
Mesmo sem cravar que estará na disputa, Cleitinho já sinalizou a dois aliados diferentes que pretende tê-los como vice. Um é Vittorio Medioli (PL), ex-prefeito de Betim, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH); o outro é Luís Eduardo Falcão, também do Republicanos e ex-prefeito de Patos de Minas, no Alto Paranaíba.