União entra em ação do MPF sobre danos ambientais à Lagoa da Pampulha

Admissão do Executivo federal no processo, protocolado em 2024, foi decidida na sexta-feira (3)
Vista da Lagoa da Pampulha
A Lagoa da Pampulha, em Belo Horizonte. Foto: Adão de Souza/PBH

A Justiça Federal em Belo Horizonte aceitou pedido da União para ser admitida como assistente do Ministério Público Federal (MPF) em uma ação contra três empresas — entre elas a construtora Andrade Gutierrez — por supostos danos ambientais à Lagoa da Pampulha e à Enseada do Zoológico da capital mineira.

O sinal verde para o ingresso da União no processo foi dado na sexta-feira (3), pelo juiz federal substituto Fernando Cezar Carrusca Vieira. A petição inicial do MPF, por sua vez, remonta a 2024.

Ao propor a ação, o MPF alegou que, entre 2013 e 2021, Andrade Gutierrez, Ambipar Soluções Ambientais e ETC Construções mutilaram a orla da lagoa e destruíram parte do espelho d’água durante a execução de contratos de desassoreamento. 

De acordo com o órgão, as companhias utilizaram um esquema fraudulento que envolvia a simulação do transporte de sedimentos para áreas de descarte, usando documentos falsificados para ludibriar agentes fiscalizadores. 

Segundo Vieira, o pedido da União para participar da ação encontra respaldo no fato de o governo federal ter sido o ente garantidor do empréstimo que viabilizou a obtenção dos recursos para o financiamento dos contratos de desassoreamento.

“Dessa forma, o que se configura não é um interesse abstrato, mas uma confluência de deveres legais e obrigações que legitimam a atuação da União na defesa do patrimônio cultural em juízo”, pontuou.

O magistrado se amparou em precedente do Superior Tribunal de Justiça (STJ) apontando que o dever de proteção ao patrimônio cultural deve ser seguido por todas as instâncias federativas. A jurisprudência, aliás, também baseou a decisão dele de manter o município de Belo Horizonte no polo passivo da ação, ao lado das empresas.

Quando ajuizou a ação, o MPF argumentou que os danos gerados ao conjunto da Pampulha violam as normas de proteção ao patrimônio cultural e ambiental, uma vez que o Conjunto Arquitetônico da Pampulha recebeu da Unesco, em 2016, o título de Patrimônio Mundial da Humanidade.

Foi repórter especial do caderno de Política do Estado de Minas. Trabalhou, também, na Rádio Itatiaia. Antes, militou no jornalismo esportivo, no Superesportes.

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