As acusações contra o conselheiro de administração da Vale Marcelo Gasparino estão ligadas a uma série de reportagens publicadas nas últimas semanas pela imprensa nacional sobre a mineradora. Na quarta-feira (22), o colegiado da empresa recomendou a destituição dele do cargo.
Na ocasião, um escritório externo contratado pela Vale constatou que Gasparino havia vazado informações sobre a reunião do Conselho em 19 de junho. Conforme O Fator apurou, entre os vazamentos está seu próprio voto.
No voto, contrário à destituição de Daniel Stieler como presidente do Conselho, Gasparino teria comentado uma série de assuntos que ainda não eram de conhecimento público.
Entre eles, um jantar no Rio de Janeiro em maio entre conselheiros e o CEO da Vale, Gustavo Pimenta, e os irmãos Joesley e Wesley Batista sobre o interesse da mineradora em comprar as operações da LHG Mining, em Corumbá.
Gasparino também teria comentado sobre um antigo interesse da Vale nas operações da Bamin, em Caetité (BA), e sobre o que chamava de interferências do governo federal na composição do Conselho de Administração da Vale.
Conforme uma pessoa por dentro do assunto relatou a O Fator, causou indignação na alta cúpula da mineradora a série de matérias jornalísticas sobre esses temas nos dias posteriores à reunião, que ocorreu numa sexta-feira.
O ápice da indignação teria ocorrido na quarta (24), quando uma reportagem publicou aspas do voto de Gasparino que não haviam sido divulgadas na ata da reunião. Após a publicação, Gasparino enviou uma nota à reportagem, negando que aquele voto teria sido seu.
Mas, segundo os advogados externos contratados pela Vale, teria sido o próprio conselheiro o responsável por vazar as informações.
Destituição
No início de julho, Daniel Stieler renunciou ao cargo de chairman da Vale.
Na última quarta-feira (22) os acionistas da Vale elegeram Manuel Lino Silva de Sousa Oliveira, conhecido como Ollie, como seu substituto. Gasparino também havia se candidato.
Agora, é esperada a convocação da Assembleia de acionistas para analisar a destituição de Gasparino.
Histórico
Essa não é a primeira polêmica de vazamentos na biografia de Marcelo Gasparino. Em maio de 2023, o então presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, determinou a abertura de investigação interna após a divulgação de conteúdos discutidos no conselho de administração, incluindo falas sobre a exploração de petróleo na foz do Amazonas.
Gasparino foi citado entre os suspeitos do vazamento, segundo fontes. A apuração não resultou em punições.
Em abril do ano passado, quando integrava o conselho da Eletrobras, Gasparino recebeu três advertências por divulgação de informações, sendo a última classificada como infração grave.
O caso envolveu a exposição de conversas com uma jornalista e menções a articulações sobre a troca no comando da companhia. As imagens indicariam o compartilhamento de documentos internos. Ele não foi reconduzido ao cargo.