Vale vai manter produção mais baixa em Itabira

Modernização em usina não será suficiente para aumentar patamar de cerca de 25 milhões de toneladas por ano
O complexo da Vale em Itabira
Carregamento automático de minério de ferro no complexo minerário da Vale em Itabira. Foto: Pedro Lovisi/O Fator

A Vale planeja para este ano produzir em Itabira volume semelhante de minério ferro ao que foi produzido em 2025.

A informação veio do vice-presidente de operações da companhia, Carlos Medeiros, durante evento organizado pela mineradora nesta quarta-feira (10), na cidade do Quadrilátero Ferrífero.

A afirmação é importante por consolidar um novo patamar de produção para o complexo do município.

Em 2025, a Vale produziu 25,2 milhões de toneladas de minério de ferro, bem abaixo dos 32,8 milhões registrados no ano anterior. Em 2023, foram 31,2 milhões.

A queda esbarra na maior preocupação da Prefeitura de Itabira: a proximidade do fim da vida útil das minas da Vale na cidade e a consequente queda na arrecadação da Compensação Financeira por Exploração Minera (Cfem), como são chamados os royalties minerários.

O setor responde por cerca de 80% das receitas municipais, segundo a própria gestão de Itabira. O percentual considera a Cfem e os impostos.

Em março, a Vale estendeu a vida útil de suas minas em Itabira em 12 anos, para 2053, mas é improvável que o nível de produção na cidade continue o mesmo ao longo dos anos.

Paralelamente, no mês passado, a Vale hibernou a usina de beneficiamento do Cauê, criada na década de 1970. Agora, o beneficiamento do minério de ferro em Itabira acontece nas usinas Conceição 1 e 2.

Modernização de usina

Há três meses, a Vale concluiu a modernização da usina de beneficiamento Conceição 2, que agora passa a ter sistemas de automação apoiados por inteligência artificial.

A mudança, segundo a Vale, será capaz de aumentar cerca de 30% da produção da usina, de 9 milhões de toneladas para 11,2 milhões.

Isso acontece devido à maior eficiência na concentração do minério, o que também reduz a quantidade de ferro nos rejeitos e diminui os custos de produção da mineradora na cidade.

Os investimentos para a modernização da usina em Itabira ficaram na casa de R$ 200 milhões. Agora, a Vale prepara ações semelhantes nos complexos de Brucutu, em São Gonçalo do Rio Abaixo, e Vargem Grande, em Nova Lima.

Formado em jornalismo pela PUC Minas, Pedro Lovisi trabalhou nas redações do jornal Estado de Minas e da Rádio Itatiaia. Nos últimos cinco anos, foi repórter da Folha de S.Paulo, onde se destacou pela cobertura econômica de setores ligados à transição energética, principalmente energia e mineração. Também é mestre em Governança Global e Formulação de Políticas Internacionais pela PUC SP, onde estudou instrumentos orçamentários para cidades mineradoras de Minas Gerais.

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