Presidente do PSDB, o deputado federal Aécio Neves comunicou aos quadros nacionais do partido que aceitou ser candidato ao Senado na chapa de Alexandre Kalil (PDT) ao governo de Minas Gerais.
O Fator apurou que o anúncio acontecerá nesta sexta-feira (28), em coletiva de imprensa em Belo Horizonte. A equipe do deputado federal, inclusive, já começou a preparar as gravações para o horário eleitoral.
O especialista em marketing político Zuza Nacif, que coordenou as redes sociais de Aécio durante a corrida à Presidência da República em 2014, já está escalado para ajudar o tucano a voltar ao Senado, onde ocupou uma cadeira entre 2011 e 2018.
Aécio substituirá Gustavo Galassi, que havia sido anunciado como nome tucano na corrida à Casa Alta do Congresso Nacional. Para que o tucano entre na disputa, Galassi protocolará pedido de renúncia junto à Justiça Eleitoral.
Uma das fontes ouvidas afirma que a empreitada somente não será efetivada se alguma negociação direta com Kalil encontrar resistência, uma vez que o tucano teria que assumir papel de protagonismo na chapa.
Caminho até aqui
No início do mês, o tucano chegou a dizer publicamente que, após 40 anos consecutivos de mandatos, não estaria nas urnas. Apesar disso, correligionários passaram as semanas seguintes tentando convencê-lo a mudar de ideia.
A pressão ganhou força nesta semana. O PDT, que está na aliança tucana em Minas, retirou a candidatura de Marcelo Heringer, em gesto que, como mostrou a reportagem, foi pensado para abrir espaço ao cacique do PSDB.
Conforme apurou O Fator, entre os argumentos encampados por seus aliados, um pesou mais: a possibilidade de que o tucano volte a exercer protagonismo nacional a partir do Senado.
A cadeira ofereceria ao ex-governador o espaço que ele buscava para retomar um papel político central, especialmente em um Congresso Nacional marcado pela polarização entre lulismo e bolsonarismo.
A retórica adotada é que Aécio poderia, nesse cenário, atuar como mediador de interesses e construir pontes dentro do Congresso Nacional, independentemente de quem ocupe o Palácio do Planalto a partir de 2027.
Reconstrução do PSDB
O argumento dialoga diretamente com outro objetivo que já estava no radar do tucano, de reconstrução do PSDB. Aliados trabalham com a tese de que a cadeira no Senado poderia fortalecer esse projeto.
Outro ponto tratado como animador foi o resultado das pesquisas internas, que registraram queda na rejeição ao deputado. Isso, inclusive, foi um dos temas tratadas por Aécio com o ex-presidente Michel Temer (MDB), que foi consultado por ele.