O racha no PSB de Minas Gerais, causado pela possibilidade de o partido se aliar ao PT na disputa pelo governo, fez a direção estadual da sigla emitir uma nota pública cobrando lealdade a filiados.
No texto, publicado no sábado (25), a cúpula pessebista afirma que o apoio a correligionários em disputas eleitorais é “dever estatutário”.
“A unidade partidária e o fortalecimento das candidaturas oficiais do PSB constituem um compromisso institucional de todos aqueles que exercem funções de direção ou representam o partido”, diz trecho do comunicado.
A divisão interna tem insatisfeitos dos dois lados. Pré-candidatos legislativos identificados com a esquerda — e simpáticos a uma união majoritária ao deputado federal Patrus Ananias — cogitam deixar a disputa para apoiar postulantes do PT à Câmara dos Deputados e à Assembleia Legislativa (ALMG).
Do outro lado, integrantes da chapa proporcional que rejeitam a aproximação com os petistas discutem marchar em retirada ou apoiar nomes de outras legendas cotados para concorrer a governador, como Marcelo Aro (PP) e Gabriel Azevedo (MDB).
Um dos episódios que evidenciaram a crise ocorreu na semana passada, quando o pré-candidato a deputado federal Dudu Fashion — secretário-geral do PSB de Contagem e presidente do Centro de Luta pela Livre Orientação Sexual (Cellos) da cidade — anunciou a desistência do páreo e declarou apoio às candidaturas da vereadora Moara Saboia para deputada estadual e da deputada estadual Bella Gonçalves para a Câmara. Ambas são filiadas ao PT.
Ao justificar a decisão, Dudu afirmou que manteve a pré-candidatura por acreditar que seria possível construir um projeto coletivo dentro do partido, mas disse ter encontrado um ambiente diferente do esperado.
“Ao longo dessa caminhada, percebi que algumas coisas são fundamentais para que o projeto político aconteça: o incentivo, o diálogo, o acolhimento, o planejamento e, principalmente, o sentimento de que todos estão caminhando na mesma direção. Infelizmente, isso não aconteceu da forma que eu esperava”, falou, em vídeo publicado nas redes sociais.
,As divergências internas levaram o presidente estadual do PSB, Otacílio Neto, o Otacilinho, solicitar ao presidente nacional do partido, João Campos, autorização para que a sigla abra mão da indicação do candidato a vice-governador na chapa encabeçada por Patrus.
A iniciativa, segundo integrantes da legenda, seria uma tentativa de reduzir o desgaste entre os pré-candidatos da chapa proporcional que resistem à aliança com o PT. A avaliação é de que uma eventual confirmação de um vice do PSB na chapa petista poderia ampliar a debandada na nominata da legenda para a Câmara dos Deputados.