Aliados do senador Cleitinho Azevedo relatam surpresa com a decisão do Republicanos de anunciar que ele não será candidato ao governo de Minas Gerais. Segundo pessoas do entorno do parlamentar ouvidas por O Fator, o vídeo com inteligência artificial (IA) publicado nessa terça-feira (28) era uma prévia da oficialização da entrada na disputa.
Integrantes do entorno de Cleitinho tentam se movimentar para demover o Republicanos da decisão, mas interlocutores a par do processo que culminou na nota pública em que o partido o retira do páreo dizem que o senador sabia que, sem uma resposta rápida às perguntas sobre ser ou não candidato, acabaria não concorrendo.
A O Fator, Gleidson Azevedo, gêmeo do senador, seu correligionário e ex-prefeito de Divinópolis, disse acreditar que Cleitinho estará, sim, na eleição para o Executivo.
No texto em que oficializa a posição, divulgado na manhã desta quarta-feira (26), o Republicanos diz que sempre esteve pronto para apoiar um eventual projeto encabeçado por Cleitinho, mas ressalta que a candidatura “nunca foi assumida por quem deveria liderá-la”.
“O partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer. O que faltou foi a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo. O Republicanos respeita a trajetória e o mandato do senador Cleitinho Azevedo, mas também tem o dever de conduzir seu projeto político com responsabilidade, previsibilidade e respeito aos candidatos a deputados federais e estaduais, seus filiados, aliados e à população mineira”, diz
O Fator tentou contato com Cleitinho e com a equipe de gabinete dele no Congresso Nacional, mas não houve resposta. Irmão do parlamentar, o deputado estadual Eduardo Azevedo (PL) disse preferir não se pronunciar por ora.
Do vídeo à reunião
Quando Cleitinho publicou, com o auxílio de uma ferramenta de IA, um diálogo com o pai e um irmão já falecidos dizendo aceitar uma “missão” — lida por aliados como a candidatura ao governo —, transcorria em Brasília (DF) uma reunião entre lideranças de PL, União Brasil e PP.
No encontro, que contou com a participação por telefone do presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, ficou acertado que, se não houvesse resposta concreta do senador até esta quarta-feira (29), o grupo se uniria em torno da candidatura de Marcelo Aro (PP) ao Palácio Tiradentes.
O passo seguinte foi a publicação da nota do Republicanos. O texto, postado às 10h36 no site oficial do diretório estadual da legenda, não trata de forma aberta do apoio a Aro, mas evidencia o desconforto interno com os sucessivos adiamentos de Cleitinho.
O senador, que primeiro projetava definir os rumos que trilharia até maio, adiou a batida de martelo para depois da Copa do Mundo, encerrada no dia 19 deste mês. Após a eliminação da Seleção Brasileira, contudo, passou a indicar que poderia postergar o fim do impasse para o início de agosto.
“Uma candidatura exige, antes de tudo, a decisão firme de quem pretende disputá-la. Tal decisão nunca aconteceu. Esse compromisso jamais pode ser substituído por sinais contraditórios, sucessivos recuos ou indefinições que acabam comprometendo a construção de um projeto coletivo”, escreveu a cúpula do partido na nota.